Jornal da Mostra
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Nº 471
30ª Mostra > 13/02/2007
30ª Mostra > 13/02/2007
Edição: Renata de Almeida e Leon Cakoff
Leon Cakoff, de Berlim, para o ‘Jornal da Mostra’
Leon Cakoff, de Berlim, para o ‘Jornal da Mostra’
“The Counterfeiters/ Os Falsários”, de Stefan Ruzowitzky
CULPA ALEMÃ É PROVOCADA EM DOIS NOVOS FILMES
Depois da França, é a Alemanha quem mais contabiliza a diversidade no cinema. São 50 títulos reunidos no 57º Festival de Berlim, com 22 longas espalhados nas diversas seções do festival e outros 28 novos apresentados no ‘Perspektive Deutsches Kino’, o panorama que demonstra anualmente a riqueza e abrangência desta sua bem-vinda diversidade. Um filme da competição – “Die Fälscher/ The Counterfeiters/ Os Falsários”, de Stefan Ruzowitzky – e outro do Perspektive – “Mein Führer – Die Wirklich Wahrste Wahrheit über Adolf Hitler/ My Führer – The Truly Truest Truth about Adolf Hitler/ Meu Führer – A Verdade Mais Verdadeira sobre Adolf Hitler”, de Dani Levy – são os que mais provocam a culpa alemã pelo seu passado nazista.Um produtor alemão ressalta que a culpa sentida, mesmo depois de 60 anos do fim do nazismo e da Segunda Guerra Mundial, atinge a 70% das novas gerações em seu país. “De uma geração para outra, esse sentimento de culpa subiu mais 20%”, ele diz, “tendo em parte a ver com a unificação das Alemanhas.”
Esse sentimento de culpa, ao mesmo tempo que gera grande expectativa internacional pelo filme de Dani Levy, também criou uma polêmica equivocada. Levy é um cineasta de origem suíça e judia radicado em Berlim. Ele atreveu-se a quebrar um tabu para o cinema alemão, o de debochar da figura demoníaca de Adolf Hitler. O equívoco foi parte da imprensa alemã repetir que a sua comédia de deboche a Hitler era uma comédia sobre o Holocausto.
Em outro senso, Stefan Ruzowitzky, austríaco, leva-nos a conviver com histórias pouco conhecidas sobre as monstruosidades do Holocausto. Em 1944, quase ao final da guerra, nazistas separam em seus campos de concentração uma elite de artistas e falsários judeus para engendrar um novo plano de ataque contra as tropas aliadas. Eles são enviados para Mauthausen, recebem um tratamento diferenciado, menos feroz, mas devem trabalhar para criar notas falsas para minar as economias da Inglaterra e dos Estados Unidos.
As interpretações agressivas e cínicas dos alemães fazem o contraponto com a de Karl Markovics, também austríaco, no papel do judeu falsário, personagem principal do filme de Ruzowitzky. Deverá ser lembrado como uma das melhores interpretações dos filmes desta seleção. A recriação do terror nazista pelo próprio cinema alemão, neste caso em co-produção com a Áustria, não dá tréguas para estes sentimentos de culpa que seguem afetando todo um povo. Ao mesmo tempo, é com filmes assim que a História se mantém viva e presente para positivas reflexões.
Galeria de Fotos

“Meu Führer – A Verdade Mais Verdadeira sobre Adolf Hitler”, de Dani Levy