Jornal da Mostra
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Nº 474
30ª Mostra > 17/02/2007
30ª Mostra > 17/02/2007
Edição: Renata de Almeida e Leon Cakoff
Leon Cakoff, de Berlim, para o ‘Jornal da Mostra’
Leon Cakoff, de Berlim, para o ‘Jornal da Mostra’
“Brand Upon the Brain!”, de Guy Maddin
GUY MADDIN RECRIA EXPRESSIONISMO MUDO ALEMÃO
O cineasta canadense Guy Maddin criou para uma linguagem particular, uma assinatura própria, extraída do próprio passado do cinema, do fascínio dos filmes mudos, especialmente do expressionismo alemão. Para dar um brilho especial ao seu novo filme “Brand Upon the Brain!”, a seção Fórum do 57º Festival de Berlim preparou um evento especial, com projeção no palco do Deutsche Oper Berlin, a Ópera de Berlim, com a Orquestra Volkswagen (com 34 músicos), direção musical do maestro Jason Staczek, mais três sonoplastas de um estúdio de som norte-americano (Foley Artists), e a eletrizante narração da atriz e diretora italiana Isabella Rossellini.O espetáculo era aguardado como o principal acontecimento do festival. A previsão se confirmou no último dia 15 de fevereiro com a Ópera de Berlim lotada e uma estrondosa ovação a Guy Maddin. O cineasta canadense teve retrospectiva completa de sua obra na 28ª Mostra Internacional de Cinema. “Brand Upon the Brain!” recria com paixão toda linguagem de urgência de um filme mudo expressionista, um terror sofisticado e cheio de maneirismos.
O fascínio pelo passado está também na história original do filme. Um menino que se chama Guy como o diretor, vive prisioneiro em uma ilha com um farol. É uma ilha que isola muitas outras crianças órfãs. Um pai adotivo usa as crianças em seus experimentos macabros enquanto uma mãe igualmente simbólica aterroriza as crianças com a sua extrema e completa vigilância. O encontro de dois casais de irmãos provoca o nascimento do amor, de um desejo até então desconhecido de liberdade e joga luz nesse tenebroso mundo de espectros.
Guy Maddin reinventa uma linguagem e segue único na recriação de um gênero que nos brinda com toda a atmosfera e as riquezas de expressão que explodiram com o próprio nascimento do cinema. Como se não bastassem todos os restauros de antigos filmes mudos que anualmente fazem a alegria dos cinéfilos, temos também Guy Maddin com o seu atrevido cinema que lança ainda mais luz sobre esta fascinante e assombrosa magia. Não por acaso, todos os seus personagens em “Brand Upon the Brain!” são afetados pelos enigmas do passado. Decifrá-los irá significar liberdade. Guy Maddin e seus personagens alcançam esta plenitude decodificando a rica linguagem do cinema dos pioneiros.