Jornal da Mostra
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Nº 479
30ª Mostra > 05/03/2007
30ª Mostra > 05/03/2007
Edição: Renata de Almeida e Leon Cakoff
Redação: Christian Petermann
Redação: Christian Petermann
Javier Bardem
JAVIER BARDEM: DO ANSIOSO WOODY ALLEN À PARANÓIA CONTEMPORÂNEA
De acordo com o newsletter Noticine ( http://www.noticine.com ), o ator espanhol Javier Bardem foi recentemente motivo duplo de notícia, uma por obra de seu talento, outra por maquinação da paranóia nos dias de hoje.Bardem foi confirmado na futura realização do prolífico (e agora internacional) Woody Allen, como sempre, um projeto ainda sem nome. Parece, aliás, que Woody procura reencontrar a inspiração trabalhando muito, como sempre fez, mas longe da Nova York que é raiz de sua dramaturgia. Antes ele só viajara além-mar no musical Todos Dizem Eu Te Amo (96), com locações também em Paris e Veneza. Realizou há pouco um trio de trabalhos em Londres – Match Point (05), Scoop – O Grande Furo (06, com lançamento brasileiro marcado para 16 de março) e o ainda em pós-produção Cassandra’s Dream.
Agora Woody filmará em Barcelona, promovendo o reencontro dos dois atores mais internacionais da Espanha, Bardem e Penélope Cruz. Ambos foram os únicos atores espanhóis indicados ao Oscar (ele por Antes do Anoitecer, seleção da 24a Mostra; ela por Volver, 30a Mostra) e não trabalham juntos desde Jamón, Jamón (92, 18a Mostra), de Bigas Luna, o primeiro filme de repercussão internacional em suas carreiras. A comédia dramática do mestre nova-iorquino será filmada durante o verão europeu, com diálogos em inglês e espanhol. Este trabalho segue uma série de outros três, de porte internacional, indicando auspicioso momento na carreira de Bardem. Ele atuou em Goya’s Ghosts (06), de Milos Forman, e em dois títulos ainda em pós-produção, Love in the Time of Cholera, de Mike Newell, inspirado na obra-prima literária de Gabriel García Marquez, e No Country for Old Men, dos irmãos Coen.
Além disso, em meados de fevereiro, Bardem esteve no Festival de Berlim para apresentar uma série documental, Invisibles, que produziu, através de sua companhia Pinguin Films, a respeito da ação da ONG Médicos sem Fronteiras em relação a tragédias como epidemias, migrações forçadas e violência contra crianças e mulheres. Ambiciosa obra humanitária em cinco partes, teve locações nos países do Terceiro Mundo Colômbia, Bolívia, República Centro-Africana, Congo e Uganda, e direção de renomados cineastas como os espanhóis Fernando León de Aranoa (de, entre outros, Segunda-Feira ao Sol, 27a Mostra, estrelado por Bardem), Isabel Coixet (de A Vida Secreta das Palavras, 30a Mostra) e Mariano Barroso, o peruano radicado na Espanha Javier Corcuera e o alemão Wim Wenders (veterano da Mostra).
Antes do vôo de volta a Madrid, porém, Bardem foi retido por alguns minutos no aeroporto de Tegel, em Berlim, pois um conteúdo em sua bagagem de mão foi identificado como possível bomba. A polícia foi acionada, e o ator foi detido sem mordomias – não pôde nem fumar um cigarro em área apropriada. Os espanhóis presentes ao embarque ficaram atônitos, por se tratar de conhecido ator internacional. Quando se esclareceu tratar-se de um amplificador para seu iPod, Bardem foi liberado e a companhia aérea Iberia o promoveu da classe turística para a executiva. Menos mal, ao final de mais um episódio dos extremos que assume, hoje em dia, o medo em nome da segurança.