Jornal da Mostra
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Nº 482
30ª Mostra > 13/03/2007
30ª Mostra > 13/03/2007
Edição: Renata de Almeira e Leon Cakoff
Redação: Christian Petermann
Redação: Christian Petermann
Guillermo del Toro
FESTIVAL DE GUADALAJARA CELEBRA OSCAR
PARA MEXICANOS COM HOMENAGEM A GUILLERMO DEL TORO
O 22º Festival de Cinema de Guadalajara, no México, abre no próximo dia 22 de março com a entrega do primeiro Prêmio Guadalajara, criado para homenagear profissionais ibero-americanos cuja obra deixou marcas no cinema internacional – como aconteceu nitidamente na entrega dos prêmios Oscar deste ano.
Quem melhor para ser o primeiro laureado com o prêmio do que o cineasta mexicano Guillermo del Toro, um dos co-fundadores da Mostra de Cinema Mexicano de Guadalajara e inquestionável referência no cinema fantástico moderno? Afinal de contas, ele foi parte ativa na recente consagração dos mexicanos na entrega dos Oscar 2007. Seu filme “O Labirinto do Fauno” (El Laberinto del Fauno, selecionado para a 30a Mostra) recebeu inéditas seis indicações (considerando-se uma co-produção México/Espanha) e conquistou três delas, para direção de arte (Eugenio Caballero e cenários de Pilar Revuelta), fotografia (Guillermo Navarro) e maquiagem (David Martí e Montse Ribé).
Além de Del Toro, o conterrâneo Alfonso Cuarón recebeu três indicações por sua fantasia futurista “Filhos da Esperança” (Children of Men), enquanto que Alejandro González Iñárritu também quebrou uma barreira inédita e chegou a sete indicações por seu “Babel” (30a Mostra), inclusive para a categoria principal, tendo conquistado a de trilha sonora para o argentino Gustavo Santaollala (que no ano passado também ganhou o Oscar pela trilha de “O Segredo de Brokeback Mountain” (Brokeback Mountain, 29a Mostra). Por este feito duplo e também inédito no cinema platino, Santaollala é um dos grandes homenageados do Festival de Mar del Plata deste ano, atualmente em curso.
Del Toro, que nasceu em Guadalajara em 1964, receberá o prêmio durante a cerimônia de abertura do festival. Horas antes, porém, ele ministrará uma aula especial, ao lado do diretor de arte Eugenio Caballero, para trezentos alunos já selecionados das áreas de Cinema, Comunicação e Desenho. Del Toro falará de seu premiado filme, que é a parte do meio de uma trilogia sobre a Guerra Civil Espanhola, iniciada com A Espinha do Diabo (El Espinazo del Diablo, 2001) e que será concluída com 3993 (previsto para 2009).
Caballero, por sua vez, compartilhará com os estudantes sua vasta experiência na área. Ele foi diretor de arte de filmes como “Romeu + Julieta” (1996, de Baz Luhrmann), “Santitos” (1999, de Alejandro Springall) e “Crônicas” (2004, de Sebastián Cordero). Foi graças a este trabalho, aliás, que Caballero, por intermédio da produtora Berta Navarro, conheceu Del Toro e deu início a uma promissora parceria.
Para completar, inúmeras produções mexicanas participarão da mostra competitiva do evento, entre os dias 23 e 30 de março. Entre elas está um impressionante número de estréias em longa-metragem: do consagrado diretor publicitário Simón Bross (Malos Hábitos), de Enrique Begné (Dos Abrazos), de Juan Patricio Riveroll (Ópera), de Aarón Fernández Lesur (Partes Usadas) e de Ernesto Contreras (Párpados Azules). Contreras havia conquistado com este filme, há exatos dois anos, o prêmio máximo para projetos no I Encontro Ibero-Americano de Co-Produções, ocorrido durante a 20a edição de Guadalajara.
Completam a lista dos títulos já confirmados: o filme coletivo “De Ángeles, Flores y Fuentes”, dos diretores Rodolfo Guzmán, Héctor Rodríguez e Francisco Rodríguez; e o novo trabalho de Juan Pablo Villaseñor, “Espérame en Otro Mundo”. Fora de competição, haverá as exibições especiais do premiado “O Violino” (destaque da 30a Mostra), de Francisco Vargas, e o mais recente de Alejandro Springall, Morirse “Está en Hebreo”.