Jornal da Mostra
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Nº 484
30ª Mostra > 20/03/2007
30ª Mostra > 20/03/2007
Edição: Renata de Almeida e Leon Cakoff
Christian Petermann, para ‘Jornal da Mostra’
Christian Petermann, para ‘Jornal da Mostra’
Uma Noite no Museu
CINEMAS DA ALEMANHA E GRÃ BRETANHA BOICOTAM FILMES ANUNCIADOS CEDO EM DVD
A edição internacional do jornal norte-americano Herald Tribune, em artigo enviado de Paris, a jornalista Doreen Carvajal reporta que circuitos de cinema da Alemanha (Cinemaxx e CineStar) e da Grã-Bretanha (Odeon e Vue) iniciaram desde janeiro pesada campanha contra o fato de os filmes mais comerciais, os chamados blockbusters, estarem acessíveis cada vez mais rápido para locação em DVD. É a chamada janela, intervalo de tempo entre a estréia comercial nos cinemas e o lançamento em home entertainment, que está cada vez menor. O acordo financeiro entre "cavalheiros" exigia um mínimo de seis meses entre cada data. Hoje em dia, esse período pode ser reduzido a nem exatos três meses!Em protesto, os citados circuitos exibidores estão boicotando a permanência de alguns filmes em cartaz. Em janeiro, por exemplo, longas como "Uma Noite no Museu" e "Eragon", por coincidência ambos da Fox, foram sumariamente tirados de exibição. A distribuidora anunciou o lançamento de “Uma Noite no Museu” em DVD para 1o de abril, meras treze semanas depois de sua estréia mundial, e de “Eragon” para a Páscoa.
A discussão envolve várias instâncias do mercado, pois a via crucis de um filme, depois dos cinemas e do home entertainment (DVD), passa pelo pay-per-view, pela TV por assinatura e, ao final, pela TV aberta. Cada vez mais se discute a viabilidade de permanência de um filme nas salas de cinema, em especial se o fôlego comercial deste for modesto. Na França, por exemplo, é obrigatoriedade legal a janela de seis meses. Já em muitos outros lugares, esse acordo tem sido quebrado. Segundo Ad Westrade, presidente honorário da International Union of Cinemas, um grupo sediado em Paris que representa exibidores de quinze países, a solução inicial para esse impasse tem sido mesmo "dizer não!" e banir certos filmes das telonas.