Jornal da Mostra
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Nº 489
30ª Mostra > 07/05/2007
30ª Mostra > 07/05/2007
Edição: Renata de Almeida e Leon Cakoff
Leon Cakoff, para o ‘Jornal da Mostra’
Leon Cakoff, para o ‘Jornal da Mostra’
Post Mortem, de Andrzej Wajda
NOVO FILME DE ANDRZEJ WAJDA INVESTIGA O PASSADO POLONÊS E RESGATA A MEMÓRIA DO PRÓPRIO PAI-HERÓI
“Post Mortem”, produzido pela Televisão Polonesa, vai ser exibido uma única vez no mercado do festival de Cannes. Justifica-se a restrição porque o novo filme de Wajda ainda está em fase de finalização, de pós-produção. Este será o primeiro longa-metragem assinado pelo cineasta desde o Oscar honorário que recebeu da Academia de Hollywood em 2000.
Wajda é um dos principais nomes do cinema do leste europeu. É precursor do movimento semelhante ao nouvelle vague que ditou as tendências também do cinema francês nos anos 60. Ganhou notoriedade internacional com “Canal” (1957, Prêmio da Crítica no Festival de Cannes) e “Cinzas e Diamantes/ Ashes and Diamonds” (1958 – Prêmio da Crítica no Festival de Veneza). Em 1980 seu “O Maestro/ The Conductor”, sobre um músico em crise criativa frente às pressões e burocracias do socialismo foi o filme de abertura da 5ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, depois de vencer o Urso de Prata no Festival de Berlim.
No ano seguinte “O Homem de Ferro/ The Man of Iron” venceu a Palma de Ouro em Cannes e revelou para o mundo o surgimento de um movimento sindical inédito em um país de regime comunista, nos estaleiros de Gdansk, liderado pela nova estrela da mídia mundial Lech Valessa.
Agora, com “Post Mortem” Wajda parece querer ir ainda mais fundo em denunciar abusos de autoritarismo no seu país, desde os tempos da invasão da Polônia pelos nazistas da Alemanha até a sua libertação e ocupação pelo exército soviético. O novo filme é parcialmente baseado na história de sua própria família e resgata a heróica memória de oficiais poloneses executados na floresta de Smolensk em 1940. Este vai ser o primeiro filme polonês a apresentar as provas históricas sobre a execução de milhares de vítimas inocentes, entre as quais o próprio pai de Wajda.
Segundo o material promocional do filme “Esta é uma história de patriotismo e de amor mais forte que o medo, uma história de bravos poloneses que arriscaram suas vidas para salvar uma nação, revelando para o mundo fatos desconhecidos depois de mais de 60 anos. Wajda colocou toda a sua paixão neste projeto e assistir ao filme vai significar um entendimento da dor que o acompanha por toda a sua vida.”
“Deus deu para este diretor dois olhos”, diz Wajda. “Um para olhar através da câmera, e outro para estar alerta sobre todas as coisas que estão acontecendo à sua volta”. Esta é a mensagem inicial no seu sítio oficial http://www.wajda.pl que merece ser visitado.
Mais informações em:
www.festival-cannes.org