Jornal da Mostra


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Nº 497
30ª Mostra > 19/05/2007
Edição: Renata de Almeida e Leon Cakoff
Leon Cakoff, de Cannes, para o JORNAL DA MOSTRA
A VOZ DISSONANTE DE NICOLAS KLOTZ NUM MUNDO PROGRAMADO PARA DAR CERTO
A QUESTÃO HUMANA, de Nicolas Klotz

A VOZ DISSONANTE DE NICOLAS KLOTZ NUM MUNDO PROGRAMADO PARA DAR CERTO

Untitled Document O tema é um dos mais fascinantes nas relações humanas. O departamento de recursos humanos, esse que seleciona, motiva e demite empregados em qualquer empresa, há tempos é objeto de estudos acadêmicos. O que ocorre é que muitos dos métodos empregados por departamentos de recursos humanos permanecem secretos e fazem parte dos arquivos confidenciais de grandes corporações.

São segredos assim que o filme francês LA QUESTION HUMAINE/ A QUESTÃO HUMANA/ HEARTBEAT DETECTOR, de Nicolas Klotz se dispõe a revelar. Klotz é o diretor dos filmes PARIA (2000) e LA BLESSURE (2004), ambos sobre a marginalidade que a estagnação econômica da França fez proliferar na última década. LA QUESTION HUMAINE, diz Klotz, também conhecido do público da Mostra de São Paulo, encerra esta trilogia, mas agora com atenção voltada ao mundo dos ricos.

Nicolas Klotz segue dois caminhos paralelos nesta sua incursão no mundo programado para dar certo, de risco zero. Ele nos guia por dentro dos nervos da filial francesa de uma grande indústria petroquímica de origem alemã. A pedido do vice-presidente da companhia, o psicólogo responsável pela demissão e admissão de centenas de pessoas deve vasculhar a vida do seu próprio presidente com suspeita de insanidade mental.

O inquérito secreto revela a desenvoltura de dois grandes atores franceses – Mathieu Amalric como o psicólogo convencido de seu papel messiânico, e o veterano Michael Lonsdale como o patrão perturbado pelos fantasmas do passado.

É justamente esse passado que vem à tona com o inquérito encomendado. O passado da empresa tem ligações indeléveis com o regime nazista e mais uma vez a culpa alemã deixa escapar seus cadáveres mal sepultados. A trilha sonora do filme também representa seu papel inquisidor e perturbador. Ela vai dos clássicos de Schubert ao estranho cancioneiro sentimental espanhol, sem deixar de ser cúmplice com os novos ritmos, inclusive o techno. A 39ª Quinzena dos Realizadores, mesmo sendo ostensivamente protetora da produção francesa do ano, apresenta-nos importantes filmes como este de Nicolas Klotz.

Mais informações sobre o Festival de Cannes em:
www.festival-cannes.org