Jornal da Mostra


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Nº 502
30ª Mostra > 30/05/2007
Edição: Renata de Almeida e Leon Cakoff
Leon Cakoff, de Cannes, para o JORNAL DA MOSTRA
NOVO CINEMA ROMENO É O GRANDE DESTAQUE
Cristian Mungiu

NOVO CINEMA ROMENO É O GRANDE DESTAQUE

Untitled Document 4 MESES, 3 SEMANAS E 2 DIAS, segundo filme do jovem diretor romeno Cristian Mungiu, 39 anos, fica com a cobiçada Palma de Ouro do 60º Festival de Cannes. O anúncio do prêmio pelo presidente do júri Stephen Frears provocou aplausos emocionados tanto na sala da cerimônia, transmitida ao vivo para toda a Europa, como na sala reservada para a imprensa. Maria de Medeiros, membro do júri, disse que houve unanimidade para a premiação.

O escritor turco Orhan Pamuk, prêmio Nobel de Literatura, disse que ele apreciou o tema do filme e a sua realização em cada seqüência, cada segundo. Se houve um injustiçado na lista abrangente de premiados do festival, ele é novamente um filme do mestre russo Alexander Sokurov, sobre a brutalidade e estupidez da guerra, com os escombros urbanos e humanos da Chechênia como fundo.

Mas não foi só a Palma de Ouro que foi para o novo cinema romena, que há poucos anos sequer existia. Mungiu declarou depois da premiação que a sua ambição era apenas de ser selecionado para qualquer uma das sessões paralelas do festival, jamais ganhar o seu prêmio máximo. E que quem saia vitorioso era o cinema de baixo orçamento. De fato, o seu filme custou modestos 600 mil euros, orçamento modesto para filmes de qualquer país. Desde que foi exibido nos primeiros dias do festival, o seu filme sobre aborto clandestino no tempo da Romênia socialista e com seqüências amedrontadoras, tornou-se unanimidade entre todos os participantes do festival.

Na seção paralela /Un Certain Regard,/ um outro júri premiou outro romeno, CALIFORNIA DREAMING, primeiro filme de Cristian Nemescu. O cineasta morreu em acidente de carro durante a montagem do filme que foi concluída por outros membros da sua equipe. Não foi um prêmio emocional. O filme é uma ótima paródia sobre os malefícios deixados por senhores da guerra americanos e seus rastros de ódio. Tropas americanas de pacificação a caminho da guerra na Iugoslávia estacionam acidentalmente em uma aldeia romena e espalham a discórdia entre os seus pacatos habitantes. A morte de Nemescu foi provocada por um filho adolescente de um diplomata norte-americano que dirigia um pesado carro blindado militar, não tinha carteira de habilitação mas tem imunidade diplomática para não pagar pela morte que provocou.

Três cineastas demonstraram insatisfação ou esperar mais ao serem nunciados no palco. O americano Gus van Sant com o bom PARANOID PARK (co-produzido com a França), que levou o prêmio do 60º Festival de Cannes; o mexicano Carlos Reygadas com o prêmio do júri por STELLET LICHT/ LUZ SILENCIOSA; e o também americano Julian Schnabel pela produção francesa LE SCAPHANDRE ET LE PAPILLON/ O ESCAFANDRO E A BORBOLETA (Prêmio de Melhor Direção).

Outro prêmio acolhido com unanimidade foi para a atriz coreana Jeon Do-yeon em SECRET SUNCHINE, de Lee Chang-dong. Com um tema de seqüestro de criança e seitas religiosas o filme poderia se passar em qualquer país da América Latina e não numa pequena cidade coreana. Um prêmio inesperado foi dado ao ator russo Konstantin Lavronesko em IZGNANIE/ O EXÍLIO. Prêmio muito bem recebido foi para o do alemão de origem turca Fatih Akin pelo seu roteiro para o filme que igualmente dirigiu DO OUTRO LADO. O filme deverá agradar a muitas platéias pelo mundo.



Mais informações em:
www.festival-cannes.org