Jornal da Mostra
Assine aqui o 'Jornal da Mostra'
Nº 515
30ª Mostra > 04/09/2007
30ª Mostra > 04/09/2007
Edição: Renata de Almeida e Leon Cakoff
Leon Cakoff, de Veneza, para o ‘Jornal da Mostra’
Leon Cakoff, de Veneza, para o ‘Jornal da Mostra’
George Clooney em “Michael Clayton”
GEORGE CLOONEY, COMO UM HUMPHREY BOGART, SUSTENTA O MISTÉRIO DE “MICHAEL CLAYTON”
MICHAEL CLAYTON é o nome do filme do estreante Tony Gilroy. O diretor americano, de Nova York, pode não ser conhecido, apesar de ter escrito os roteiros dos três sucessos da série “Bourne”. Mas seu ator George Clooney, melhor a cada filme, todos conhecem. Coisas do star system...Desta vez Tony Gilroy escreve e caprichou no roteiro do próprio filme que dirigiu. Americano quando quer mostrar cultura no cinema faz homenagem aos seus filmes b, às produções baratas dos anos 40 e 50 que depois foram cultuados pelos franceses, batizados e reunidos sob a chancela de ‘film noir’. Um dos ícones dos filmes ‘noir’ era o fabuloso Humphrey Bogart, um ator que pensava em cena e fazia o espectador pensar com ele nem que fosse para resolver a charada de um crime banal. George Clooney, como um Humphrey Bogart repete o mito e sustenta o mistério de MICHAEL CLAYTON até a cena final do filme.
MICHAEL CLAYTON fala de corrupção em uma grande corporação agroquímica. Como ninguém faz corrupção sozinho, a corporação conta com uma sofisticada rede de conivências. Menos de um advogado em crise, que cruza o caminho de seus interesses milionários. O advogado é escalado para abafar o aparente acesso de loucura de um ex-dirigente da corporação, mas com ele percorremos tortuosos caminhos fragmentados por uma bela narrativa em flashbacks. O filme é bom. Principalmente porque você sai dele e a vontade que dá é continuar o prazer com um velho filme ‘noir’ original, com ou sem Bogart.