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Voz ao espírito da humanidade

Na sociedade pós-moderna, que aponta transformações profundas nos relacionamentos, desde todo o processo de trabalho até
a identificação com o mundo onde vivemos, as novas tecnologias se apresentam como instrumentos essenciais para o desenvolvimento humano. Nada tão surpreendente se pensarmos que toda e qualquer tecnologia - tomando-se como exemplo primórdio a invenção da roda - norteou os caminhos por onde anda a humanidade. São (e foram) elas que indicam tendências no âmbito social, como o caso das novas relações e produções
de trabalho, e o repensar incessante da sociedade em relação
à educação formal diante da abundante quantidade de informação
a que temos acesso.

O Cinema surge graças ao avanço da tecnologia, e nela se apoiou para que pudesse se tornar simplesmente uma Arte. Sem os estudos científicos sobre mecânica e óptica - entre outros, provavelmente - seria muito mais complicado que, num passe de mágica, “descobríssemos” o Cinema. A história desta arte também revela a intimidade com seu suporte científico. Pode-se pensar que muito deslumbre nasça com tais novas possibilidades. Muitas vezes entramos numa sala de cinema esperando ver e reconhecer os mais recentes processos tecnológicos, a computação gráfica recriando ambientes e incitando novos outros entendimentos.

Realmente, não é difícil deixar que tal fascínio encubra algo maior que o Cinema nos revela. Como já dito, e consagrado pelas mais dissonantes vozes, é ARTE. E como tal, surge para quebrar toda forma de poder que tente cercear a liberdade humana, em suas mais impensáveis tonalidades. Cria e recria, incessantemente, um novo discurso; nos toca pelo valor essencialmente humano. Por vezes, tanta tecnologia, tanto suporte técnico desaparecem para dar voz ao espírito da humanidade. Relega a pirotecnia ao seu estado de mudez e aparente inutilidade e faz revelar os sonhos,
as entranhas da mente, os labirintos dos desejos.

Não perder a visão do aprendizado com o passado, ao mesmo tempo em que nos atiramos a um futuro (que, como tal, é sempre nebuloso e incerto) que se apresenta incansavelmente na dobra
da esquina, é ter como fundamento a crença na educação, um processo de aprendizado constante entre as tensões de aprender
e ensinar. O SESC São Paulo abriga a Mostra Internacional
de Cinema justamente por acreditar no poder renovador
da permanente educação que se procura estabelecer, dentre outras formas, também no apoio a atividades que nos façam refletir,
fruir e formar.

Que o Cinema permaneça como um processo educativo na transformação dos cidadãos, e que seus suportes evoluam cada vez mais, no sentido de nos fazer cada vez mais humanos.

Boa Mostra a todo(a)s.

Danilo Santos de Miranda
Diretor Regional do SESC São Paulo