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GAEL GARCÍA BERNAL CONFIRMA TALENTO E SIMPATIA EM DEBATE NA FAAP
Gael García Bernal e o produtor Pablo Cruz

Jornal da Mostra


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Nº 528
31ª Mostra > 21/10/2007

GAEL GARCÍA BERNAL CONFIRMA TALENTO E SIMPATIA EM DEBATE NA FAAP

A simpatia do ator mexicano Gael García Bernal foi mais uma vez comprovada durante o debate promovido pela 31ª Mostra, realizado no sábado, dia 20, no auditório da FAAP. O debate foi precedido da exibição do filme que marca a estréia do ator como diretor, Déficit. É um filme curto, como o próprio realizador comentou logo no início da conversa, que conta a história de um grupo de jovens da elite mexicana que dão uma festa na casa dos pais do personagem central, interpretado pelo próprio Gael. O filme abriu a Semana da Crítica da última edição do festival de Cannes.

A pungência do tema abordado foi destacada pelo diretor da Mostra, Leon Cakoff, na abertura do debate, que também contou com as presenças do diretor da Faculdade de Comunicação da FAAP, Rubens Fernandes Júnior, do produtor Pablo Cruz e do apresentador Serginho Groisman, que intermediou a mesa. “A intenção foi criar uma situação em que os personagens são vítimas do sistema, dos pais, das diferenças culturais, sociais e raciais que estão muito presentes na sociedade mexicana”, explicou o diretor e ator. No filme, Cristobal e Adam foram amigos na infância quando criados juntos, mas ambos cresceram e as diferenças sociais encarregaram-se de separá-los. Adam é filho do caseiro que está de trabalho no dia da festa do filho do patrão.

Em resposta ao questionamento levantado pelo apresentador Serginho Groisman, o ator e diretor defendeu seus personagens como jovens que perderam a inocência. A explicação para a escolha do título do filme nasceu dessa perda. “Além de essa palavra nos acompanhar desde pequenos nas questões econômicas e sociais do país, todos os personagens têm um déficit afetivo.” Perguntado sobre as dificuldades em distribuir um filme independente, Gael o comparou a um produto orgânico, cujo número de interessados no mundo industrial em que se vive ainda é pequeno. “Para entrar nos grandes esquemas de distribuição, o filme tem de ser épico, de grande impacto, o que não é a proposta de uma produção independente”, ressaltou o ator.

Para o produtor de Déficit, Pablo Cruz, o fato de o personagem central ser um ator de projeção internacional ajuda bastante na distribuição do filme: “Sei que em breve o filme será lançado aqui no Brasil.” Já há uma intimidade entre o ator e o Brasil. Depois de interpretar o revolucionário Che Guevara em “Diários de Motocicleta” (2004), de Walter Salles, o jovem ator de 28 anos protagoniza também o filme do argentino radicado no Brasil Hector Babenco, O Passado, que, depois de abrir a 31ª Mostra, estréia na sexta, dia 26, nos cinemas do país. Gael também está presente na 31ª Mostra como protagonista de Sonhando Acordado, de Michel Gondry.

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