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31ª Mostra > 07/02/2008
Redação: Leon Cakoff, de Berlim, para o ‘Jornal da Mostra’
IMPRENSA É O LADO ESTÚPIDO DOS MUSICAIS
SHINE A LIGHT é o novo filme de Martin Scorsese. O documentário sobre os veteranos Rolling Stones não diz muito a que veio além de promover um grande movimento na abertura do 58º Festival de Berlim. No começo vemos o diretor nos preparativos das filmagens, nervoso e humorado como um Woody Allen. Ao longo do musical vemos os Rolling Stones no palco esbanjando energia. Entre canções Scorsese busca recheio com entrevistas antigas do grupo inglês contemporâneo dos Beatles, em várias partes do mundo.
A seleção de entrevistas serve para mostrar como cada membro da banda trabalhou a sua ironia ao longo do tempo. Mas é prova principal de quão estúpida a imprensa também costuma ser diante de ícones da cultura pop. Aproveitando que a imprensa não tem nada de especial para perguntar, nada de especial se diz.
Ao serem exibidos no mesmo dia inaugural do festival, SHINE A LIGHT foi comparado com outro musical americano, no mesmo curso, porém ativista e politizado – CSNY – DÉJÀ VU, de Bernard Shakey, que acaba sendo pseudônimo do cantor e compositor pacifista Neil Young. CSNY – DÉJÀ VU prova que há vida inteligente nos EUA. E também muitos jornalistas mais que estúpidos – raivosos e virulentos e dispostos a rebater qualquer opinião contrária ao stabishment. Neil Young reúne em seu filme os músicos originais do grupo Crosby, Stills, Nash e Young, formado há mais de 40 anos, para uma nova tournée pela América com o concerto “Freedom of Speech Tour”. A tournée pela liberdade de expressão, coisa que vemos, falta na América de Bush. O grupo excursiona comparando a atualidade com os que eles também viveram lutando contra a guerra do Vietnã. Havia mais mobilização por uma causa naquele tempo, hoje vivemos em uma ditadura, declara David Crosby no filme.
Ao aprestarem uma canção que pede o impeachment de Bush por ele ter mentido seguidamente ao mundo para fabricar a guerra contra o Iraque, muitos da platéia se retiram indignados. Mas a maioria fica e canta junto. Mas o mais chocante é a maioria da imprensa atacando a volta de Crosby, Stills, Nash e Young. Os artigos em todos gêneros de mídia são reproduzidos ironicamente dentro do filme. Afinal o concerto prega a liberdade de se falar e pensar o que bem se quer. Não o que incita a indústria bélica. Estamos de volta com Neil Young ao tempo de CORAÇÕES E MENTES, o filme de Peter Davis, de 1975, que marcou o seu tempo pelo seu ativismo contra a guerra do Vietnã. Esperamos que CSNY – DÉJÀ VU consiga o mesmo feito.
Mais Festival de Berlim em http://www.berlinale.de
