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31ª Mostra > 11/02/2008
Redação: Leon Cakoff, de Berlim, para o ‘Jornal da Mostra’
GUY MADDIN OUSA MAIS COM ‘MY WINNIPEG’
Para o cineasta autodidata e professor universitário Guy Maddin, o tempo não afeta o cinema. Pelo menos não o seu cinema que segue fiel às linguagens experimentadas pelos pioneiros na virada do século 19 para o 20. O tempo, nos filmes de Maddin tem influência e decisão somente sobre as questões da memória. E é este precioso elemento que dá vida aos seus filmes quase mudos. Desta vez, como filme de abertura da seção paralela Forum do 58º Festival de Berlim, Guy Maddin ousou ainda mais ao narrar ao vivo o próprio filme MY WINNIPEG.
No ano passado Guy Maddin ousou igual com o longa BRAND UPON THE BRAIN!, que teve em Berlim a narração de Isabella Rossellini e, em São Paulo, ainda melhor, de Marília Gabriela. Rossellini, aliada ao produtor de Guy Maddin, Jodi Shapiro, abriu a sessão de MY WINNIPEG com uma série de curtas GREEN PORNO, com sátiras bem humoradas sobre a vida sexual dos insetos.
Winnipeg é a cidade natal de Maddin. “Antes de se falar em mudança climática, Winnipeg era considerada a segunda cidade mais fria do mundo; espero que volte a ser de novo com a Sibéria uma das primeiras cidades congeladas”, disse o cineasta depois da exibição do filme em Berlim. Mas não é só do frio que MY WINNIPEG tem saudades. Como sempre Guy Maddin faz um filme triste e espirituoso como quem alerta também sobre os malefícios da velocidade que altera o tempo natural das coisas e das cidades que se imolam com símbolos da modernidade. Maddin reclama da ausência dos valores simples da vida e, sobretudo, da perda de inocências. Com o seu cinema único ele sugere resgatar a simplicidade da vida olhando para as gerações passadas, com respeito à natureza, à memória e aos sentimentos como valores essenciais e suficientes. Guy Maddin, mais que um cineasta narrando ao vivo seu filme no palco do antigo cine Delphi, mostrou-se um comovente missionário.
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