Filmes

‘LAKE TAHOE’ E O OUSADO MERGULHO NO REAL
LAKE TAHOE, de Fernando Eimbcke

Jornal da Mostra


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Nº 557
31ª Mostra > 13/02/2008
Edição: Renata de Almeida e Leon Cakoff
Redação: Leon Cakoff, de Berlim, para o ‘Jornal da Mostra’

‘LAKE TAHOE’ E O OUSADO MERGULHO NO REAL

LAKE TAHOE é o nome de um lago em Sierra Nevada, entre os estados norte-americanos de Nevada e Califórnia. Não há motivo aparente para ele ser também o título do segundo filme do mexicano Fernando Eimbcke, cujo filme de estréia TEMPORADA DE PATOS/ DUCK SEASON, de 2004, correu o mundo.

O filme, em competição no 58º Festival de Berlim, não trai a essência minimalista e multifacetada que tem marcado o moderno cinema mexicano. Uma essência que se mostra irrequieta para experimentar novas linguagens e provocações sensoriais. O mundo exterior deve parecer uma composição artificial para suportar o mundo interior de personagens aturdidos por suas mentes perturbadas. Tanto Eimbcke quanto a co-roteirista de LAKE TAHOE reagiram guiados pela memória de perdas de seus pais. Ele, do pai e ela da mãe.

É com as primeiras lembranças de Fernando Eimbcke que o filme começa e vai dando a impressão de que não se irá a lugar algum. Muito menos a uma distante Lake Tahoe que no passado podia até ter pertencido às culturas pré-colombianas que hoje formam o estado mexicano. O filme começa com uma batida de carro, um acontecimento real na vida do jovem diretor, seguido da morte de seu pai.

O filme abusa da quebra narrativa fazendo inúmeras vezes a tela ficar em total escuridão. Mas depois que o filme acaba faz mais sentido. O jovem que bate o carro num poste, em um cenário de cidade de interior, de desolação, silêncio e melancolia, sai em busca de ajuda e o que encontra mal dá para recompor a sua abalada harmonia. Como imagens do inconsciente, o filme traça com honestidade um quadro de vida real, de novo focado em adolescentes e uma criança, ainda para ser descoberto por eles. Este é realmente um filme ousado e muito mais evidente do que os seus fragmentos que insistem em abandonar o espectador no escuro.

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