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31ª Mostra > 21/02/2008
Redação: Leon Cakoff, de Berlim, para o ‘Jornal da Mostra’
ROSI ACHA QUE ITÁLIA SEGUE MAFIOSA
O cineasta Francesco Rosi, o homenageado especial do 58º Festival de Berlim, com o troféu Urso de Ouro pela carreira, aproveitou os focos do evento para lançar mais combustível com suas declarações sobre a situação política italiana, especialmente no sul do país, e da sua conturbada região napolitana. A carreira de Rosi é irregular, mas foram de sua autoria alguns dos grandes filmes que confrontaram e denunciaram os crimes da máfia italiana.
Em 2006 a editora Cosac Naify em parceria com a Mostra Internacional de Cinema lançou o livro CINEMA POLÍTICO ITALIANO ANOS 60 E 70 onde afirma que o que prevalece em seus filmes é, sobretudo, o conteúdo. E cita LE MANI SULLA CITTÀ/ AS MÃOS SOBRE A CIDADE, que rodou em 1963, para lembrar que a sua Nápoles segue vivendo sob a tragédia decorrente da falta de trabalho, instrução, educação cívica, legalidade, estabilidade social, de uma degradação e de uma corrupção nas quais o crime organizado se insinuou com feroz violência.
Francesco Rosi é um dos principais ativistas a denunciar a crise política instaurada na Itália a partir da chamada “eco-mafia”, com o acúmulo de toneladas de lixo pelas ruas de Nápoles e sem solução. Fala-se em conflitos de interesses de facções mafiosas ao incitar populares a bloquear o transporte do lixo para aterros sanitários improvisados e sem adequações sanitárias na região que é famosa por suas atrações turísticas – o Vesúvio e Pompéia. Autoridades da Comunidade Européia acusam também o governo italiano de não colaborar energicamente para solucionar o problema. Como o cineasta insinuou no seu clássicos de 1963, a máfia segue com as suas mãos tentaculares sobre a cidade.
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