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ALERTA SOBRE RISCOS DE INTERVENÇÃO NO SESC
Danilo Santos de Miranda, Diretor Regional do SESC São Paulo

Jornal da Mostra


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Nº 565
31ª Mostra > 29/04/2008

ALERTA SOBRE RISCOS DE INTERVENÇÃO NO SESC

Danilo Santos de Miranda, diretor regional do SESC – Serviço Social do Comércio em São Paulo, assina em carta aberta alerta sobre os riscos de intervenção pretendida pelo governo federal. Os recursos arrecadados pelo Sesc junto aos empregados no comércio, de 1,5% mensal, destinam-se à melhoria da qualidade de vida dos comerciários e seus familiares, além de servir para promover atividades culturais pelo país, com benefícios extensivos a todos os interessados. Não por acaso, o SESC é sempre comparado a um verdadeiro Ministério da Cultura pelo volume de ações que promove, estimulando a diversidade cultural e a circulação de idéias, espetáculos musicais, teatrais e cinema. A Mostra Internacional de Cinema, que em 2008 chegou à sua 32ª edição, tem o apoio do Sesc desde a sua terceira realização, em 1979.

O diretor do SESC fala da gravidade desta perspectiva:


“Caros amigos e parceiros do SESC:

Gostaria de compartilhar com todos vocês o risco a que o SESC está exposto neste momento. Talvez já tenham tomado conhecimento pela imprensa: o governo federal lançou medidas para melhoria da formação técnica dos jovens brasileiros que, do modo como estão sendo propostas, por mais bem intencionadas que sejam, constituem ameaça de uma intervenção do Estado em uma entidade privada. 

O projeto, em resumo, pretende rever a distribuição dos recursos do impropriamente chamado Sistema S. Determina que boa parte da arrecadação dessas entidades seja remanejada para um novo Fundo destinado à formação técnica. O fato, porém, é que as entidades do chamado Sistema S são em si resultado de Fundos já criados, lá nos anos 40, em parte, com a mesma finalidade.
O remanejamento dos recursos desses Fundos para outro novo Fundo, no entanto, implicará na restrição drástica da diversidade e do alcance da reconhecida ação do SESC, em prejuízo da educação permanente promovida diariamente a seus milhares de freqüentadores assíduos.

Diante desse quadro, sinto que é meu dever dirigir-me uma vez mais a vocês, sobretudo porque estou seguro do valor desta instituição.

A melhor maneira de conferir o significado de sua ação é vivenciar o dia-a-dia nas unidades (atualmente são 31, somente no Estado de São Paulo); ouvir o relato dos freqüentadores sobre a importância do SESC em suas vidas e para suas famílias; estar e usar os equipamentos e instalações de primeira qualidade, abertos a todos os estratos sociais, e participar das inúmeras atividades que abrangem um amplo arco de interesses e necessidades, reunindo um público extremamente diversificado.

Acredito que todos vocês já tiveram essa oportunidade. São, portanto, testemunhas da natureza beneficamente eficaz, engajadamente eficiente e profundamente educativa do trabalho que o SESC desenvolve há mais de 61 anos. Esse patrimônio não pode ser sacrificado no altar de prioridades transitórias, em nome das quais se engendra um prejuízo incalculável ao país.

Tornar a Educação meramente técnica, burocrática e pragmática, dissociando-a do universo simbólico, subjetivo, crítico e criativo, cerne da Ação Cultural, é um evidente retrocesso, fruto de visão flagrantemente obscurantista.
Certo de que compreenderão a gravidade dessa perspectiva, escrevo a vocês, formadores de opinião, representantes de classes, artistas, pensadores, amigos e parceiros do SESC para que se manifestem, pelos meios ao seu alcance, em prol da continuidade de nosso trabalho. Um projeto que, afinal, construímos juntos.”

Danilo Santos de Miranda
Diretor Regional do SESC SP