Filmes

HOMENAGEM AO CENTENÁRIO MANOEL DE OLIVEIRA
Manoel de Oliveira

Jornal da Mostra


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Nº 570
31ª Mostra > 11/05/2008
Edição: Renata de Almeida e Leon Cakoff
Redação: Leon Cakoff, para ‘Jornal da Mostra’

HOMENAGEM AO CENTENÁRIO MANOEL DE OLIVEIRA

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Este ano a seleção CANNES CLASSIC promete muitas emoções. Manoel de Oliveira completa 100 anos no dia 12 de dezembro de 2008. O 61º Festival de Cannes e a paralela 40ª Quinzena dos Realizadores vão prestar-lhe emocionadas homenagens no seu primeiro fim de semana. Ele é o mais longevo cineasta do mundo em atividade. Prepara agora o filme SINGULARIDADES DE UMA RAPARIGA LOURA, inspirado num conto de Eça de Queirós. E Cannes irá celebrar o seu centenário exibindo uma cópia restaurada do primeiro filme feito por Manoel de Oliveira, ainda no tempo do cinema mudo, DOURO, FAINA FLUVIAL, de 1931. É um curta de 18 minutos, que antecede a apresentação da versão restaurada de ASHES OF TIME REDUX, western estilizado aos cenários da China por Wong em 1994 e agora remontado e restaurado.

As agitações de Maio de 1968 chegaram a Cannes e tiveram duas conseqüências. A primeira foi a interrupção do festival, com agitações lideradas por François Truffaut e Jean-Luc Godard. A outra foi o surgimento de um ‘festival’ paralelo batizado como QUINZENA DOS REALIZADORES (ou Quinzaine des Réalisateurs ou Directors Fortnight), fundada pela associação francesa dos autores de filmes. O que eles queriam e que deu certo? Ampliar o leque de diversidade dos filmes selecionados sob o lema criado pelo primeiro diretor da ‘Quinzena’: “Todos os filmes nascem livres e iguais. Precisamos ajudá-los para que continuem assim”.

Assim é que o Festival repete, 40 anos depois, a sessão que não houve em 1968 de PEPPERMINT FRAPPÉ, dirigido por Carlos Saura. O cineasta espanhol estará presente para a correção dessa injustiça, logo com ele, que era uma voz ativa contra o franquismo. Será que Godard também vai aparecer para pedir-lhe desculpas?

Mais quatro filmes que não puderam ser exibidos em 1968 serão apresentados agora em 2008: 13 JOURS EN FRANCE, de Claude Lelouch, em cópia restaurada, na presença do autor homenageado;
ANNA KARENINA, do russo Aleksandr Zarkhi; THE LONG DAY’S DYING, do inglês Peter Collinson; e 24 HOURS IN THE LIFE OF A WOMAN, do francês Dominique Delouche.

A outra homenagem será em forma de comemoração, justamente pelos 40 anos de existência da ‘Quinzena’, com a presença dos diretores selecionados nesta sua história. Entre eles, Manoel de Oliveira, o incansável.

A Cinemateca Francesa, geradora da crise de maio de 1968, quando pipocaram as primeiras passeatas contra a demissão do seu então diretor Henri Langlois, virá com uma cópia restaurada de LOLA MONTÈS, de Max Ophüls, com o mesmo deslumbrante Technicolor de 1955.

Outros oito títulos serão apresentados em cópias restauradas:
GUIDE, de Vijay Anand (1965, Índia), EFFECT OF GAMMA RAYS ON MAN-IN-THE-MOON MARIGOLDS, de Paul Newman (1972, EUA), LET’S GET LOST, de Bruce Weber (1988, EUA), SANTA SANGRE, de Alejandro Jodorowsky (1989, México), ORPHEE, de Jean Cocteau (1949, France), FINGERS, dey James Toback (1977, EUA), GAMPERALIYA, de Lester James Peries (1965, Sri Lanka) e
THE SAVAGE EYE, de Ben Maddow, Sydney Meyers e Joseph Strick (1960, EUA).

CANNES CLASSIC programa ainda interessantes documentários sobre cinema. NO SUBTITLES NECESSARY: LASZLO & VILMOS do americano James Chressanthis rastreia a carreira dos ótimos diretores húngaros de fotografia Laszlo Kovacs e Vilmos Zsigmond que contribuíram para muitos sucessos de Hollywood nos anos 70 e 80.

THE CINEMA CINEMAS COLLECTION, do francês Claude Ventura, com dois episódios do programa produzidos nos anos 80.


YOU MUST REMEMBER THIS": A HISTORY OF WARNER BROS, do americano Richard Schickel, com duas horas sobre os melhores momentos na história dos 85 anos dos estúdios da produtora Warner Bros. O aniversário também ser lembrado nas gostosas sessões ao ar livre na praia de Cannes, com a tela fincada no mar, com as melhores animações do LOONEY TUNES e mais nove sucessos da produtora: DIRTY HARRY, de Don Siegel; I AM A FUGITIVE FROM A CHAIN GANG, de Mervyn LeRoy; WHAT’S UP, DOC?, de Peter Bogdanovich; BONNIE AND CLYDE, de Arthur Penn; ENTER THE DRAGON, de Robert Clouse; BLAZING SADDLES, de Mel Brooks; CAPTAIN BLOOD. de Michael Curtiz;
MATRIX,dos irmãos Wachowski; e WHATEVER HAPPENED TO BABY JANE?, de Robert Aldrich.

O centenário de nascimento de David Lean (1908 – 1991) será lembrado com THE PASSIONATE FRIENDS (1949) e THIS HAPPY BREED (1944). A documentarista francesa Anne Kunvari lembrará um dos maiores sucessos de Lean com IL ETAIT UNE FOIS... LAURENCE D’ARABIE.

Cannes presta homenagem também à centenária Kashiko Kawakita e ao Kawakita Memorial Film Institute, protetora e promotora do cinema e dos cineastas japoneses pelo mundo. O aniversário será comemorado na sessão especial de ZIGEUNERWEISEN, dirigido em 1980 por Seijun Suzuki.

Com o propósito de estimular e ajudar a salvação de tesouros do cinema mundial, a World Cinema Foundation, presidida por Martin Scorseses apresenta pelo segundo ano consecutivo o resultado de seus trabalhos. Veremos restaurados o filme turco de 1964, SUSUZ YAZ (Dry Summer), de Metin Erksan; o coreano HANYO, de Kim Ki-young, de 1960; e o senegalês de 1973 TOUKI BOUKI, de Djibril Diop Mambéty.

Mais infos. sobre o Festival de Cannes em :


www.festival-cannes.com