Filmes

BRASIL, O SEGREDO DA LONGEVIDADE

Jornal da Mostra


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Nº 575
31ª Mostra > 19/05/2008
Edição: Renata de Almeida e Leon Cakoff
Redação: Leon Cakoff, de Cannes, para o ‘Jornal da Mostra’

BRASIL, O SEGREDO DA LONGEVIDADE

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O 61º Festival de Cannes fez uma homenagem ao centenário Manoel de Oliveira cheia de surpresas. A sala lotada do Grand Théâtre Lumière tinha as presenças de Clint Eastwood, Sean Penn e Walter Salles entre muitos outros cineastas, jornalistas e convidados. Manoel de Oliveira, prestes a completar 100 anos, em dezembro, veio acompanhado por sua mulher Maria Isabel, o neto Ricardo Trepa, o ator e diretor Michel Piccoli e o diretor da cinemateca portuguesa João Bénard da Costa.

Gilles Jacob, presidente do festival, fez um discurso emocionado falando da importância de Oliveira e de seus filmes, a maioria feita depois de seus 70 anos de idade. Tierry Frémaux, diretor do festival de Cannes, improvisou a sua homenagem ao cineasta português lembrando que estamos testemunhando o centenário de três grandes personalidades: “Claude Lévi-Strauss, Oscar Niemayer e Manoel de Oliveira. Niemeyer já é brasileiro, Lévi-Strauss foi muito ao Brasil (para fazer os seus estudos antropológicos) e Manoel de Oliveira vai muito ao Brasil (à Mostra Internacional de Cinema); portanto, Clint Eastwood e Sean Penn, se vocês querem chegar aos 100 anos podem começar a ir ao Brasil!”, completou.

A primeira surpresa da homenagem foi a exibição de um pequeno filme assinado por Gilles Jacob – “Um dia na vida de Manoel de Oliveira”, com um depoimento do cineasta em seu apartamento no Porto. É onde Oliveira lembra de sua última passagem por Cannes: “Recebi uma mensagem no hotel sem assinatura. Dizia que o cinema é movimento, o que não havia nos meus filmes. Que eu fazia still, fotos fixas. Eu completei a nota. Disse que a foto fixa não tem movimento algum. Mas que um plano fixo, ao contrário, tem muitos movimentos em seu interior.”

A maior surpresa foi a entrega de uma Palma de Ouro a Manoel de Oliveira. “Acho muito melhor ganhar um prêmio assim, sem competir com outros colegas”, agradeceu Oliveira. A homenagem foi encerrada com a exibição do curta de 18 minutos DOURO, FAINA FLUVIAL, que Manoel de Oliveira fez em 1930 e apresentou em setembro de 1931 no congresso internacional de críticos.

Mais infos. sobre o Festival de Cannes em :


www.festival-cannes.com