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31ª Mostra > 06/08/2008
Redação: Rui Martins, especial para o ´Jornal da Mostra´
FESTIVAL SUÍÇO HONRA AMOS GITAI
Começa hoje, na Suíça, o 61o Festival Internacional de Cinema, onde ainda tem lugar o cinema independente. Daí o privilégio do público reunido nos dois grandes pavilhões de exibição, com capacidade para três mil pessoas, ou diante do telão da Piazza Grande, com mais de 200 metros quadrados, nas noites quentes do verão ticinês.
O forte de Locarno é a presença de cineastas livres das injunções dos grandes estúdios, permitindo ao público, entre sete a nove mil pessoas nas projeções ao ar livre, uma visão do mundo e culturas contemporâneas. Foi em Locarno que se descobriram Jim Jarmusch, Abbas Kiarostami, que começaram carreira cineastas como Kean Loach e onde se pode tomar o pulso do clima social no mundo mais distante dos centros dos impérios americano e europeu.
O nome homenageado do ano é Amos Gitai, com o Leopardo de Honra pelo conjunto de sua cinematografia crítica e tantas vezes mal recebida por Israel, seu país, no tratar a crise israelo-palestina. O Festival exibirá quatro dos principais filmes de Gitai, organizará uma entrevista do cineasta com a imprensa e um encontro com o público, no qual se falará de cinema mas principalmente do futuro de Israel e dos palestinos.
Frédéric Maire, o suíço-francês diretor do Festival, tem um passado de jornalista e de divulgador do cinema entre estudantes com sua criação Lanterna Mágica, que divulga a sétima arte para os alunos do primário e secundário, hoje adotada em toda Suíça. Falando correntemente o espanhol, Maire não esconde sua atração pela cultura latina e, por isso, os filmes latino-americanos estão sempre presentes em Locarno.
Desta vez há uma profusão de filmes brasileiros, embora na competição internacional haja só uma estranha e rara co-produção lusitano-brasileira, do português Mario Barroso. A presença dos cineastas brasileiros, realizadores e longas e curtas-metragens vai permitir ao público fazer uma idéia das tendências da nova cinematografia brasileira.
Serão exibidos os filmes de Cao Guimarães, também no júri da mostra Cineastas do Presente, Andarilho e O Homem das Multidões, feito em parceria com Marcelo Gomes. Haverá os cineastas Kiko Goifman com a co-produção germano-brasileira Filmefobia; Cláudio Assis com o filme Baixio das Bestas; Eduardo Coutinho, com Jogo de Cena e João Salles com o premiadíssimo documentário Santiago. E mais os curtas Dez Elefantes, de Eva Randolph, Jardim Invisível, de Roberto Bellini, Saltos de Gregório Graziosi, Sebastião - o Homem que Bebia Querosene, de Carlos Magno Rodrigues e Solidão Pública, de Daniel Aragão.
Durante dez dias, apesar do verão quente no Ticino suíço, muitos irão preferir descobrir o que há de novo em cinema, antes das novidades que também o 65º Festival de Veneza promete. E a partida será dada com o filme Brideshead Revisited, uma história de amor que foi também telenovela inglesa numa Inglaterra entre as duas guerras mundiais, com a atriz Emma Thompson.
