O PROJETO
A Mostra Internacional de Cinema em São Paulo convidou vários
cineastas internacionais para iniciar o projeto de um longa-metragem com
distintas visões sobre a cidade, relevando a importância do
olhar estrangeiro com foco nas peculiaridades da nossa metrópole,
a terceira maior cidade do mundo.
O resultado é o longa-metragem Bem-Vindo a São Paulo/
Welcome to São Paulo, que levou três anos sendo produzido
e fica pronto para ser lançado nos cinemas em 2007.
Todo o longa-metragem é narrado por de Caetano Veloso, que tambem
participa em dois segmentos do filme com a sua emblemática canção
sobre São Paulo Sampa. São Paulo é a maior cidade do
hemisfério sul, com uma dinâmica incessante de misturas culturais,
com imigrantes de todo o mundo e migrantes de todas as partes do Brasil.
A reunião destas peculiaridades é vista através da
sensibilidade dos seguintes cineastas e seus segmentos presentes no longa-metragem
Bem-Vindo a São Paulo / Welcome to São Paulo,
na ordem de apresentação que segue:
MARCO ZERO/ GROUND ZERO, visto
por Phillip Noyce (AUSTRÁLIA) – Com vários
depoimentos sobre as peculiaridades de São Paulo, a metrópole
que dissimula diferenças sociais, culturais e étnicas, todos
em torno do marco zero da cidade, no entorno da Catedral da Sé. A
câmera nervosa de Phillip Noyce registra um turismo curioso, com um
grupo de estudantes em excursão pelo centro histórico de São
Paulo, e um pastor bíblico dos novos tempos, pregando fora da catedral
católica convencional e com uma dramática próxima à
estética de Terra em Transe, de Glauber Rocha.
NATUREZA-MORTA/ STILL LIFE,
visto por Renata de Almeida e Leon Cakoff (BRASIL). O registro
de uma exposição fotográfica, com várias gerações
de espectadores, reflete sobre a importância da memória e aponta
o espanto diante da irreversibilidade dos tempos.
MANHÃ DE DOMINGO/ SUNDAY MORNING,
visto por Mika Kaurismäki (FINLÂNDIA). Registros
sobre o tempo remoto e vago da metrópole conhecida por suas agitações,
com o seu despertar vagaroso em uma manhã de domingo. Um contraponto
sensível sobre a ocupação de espaços normalmente
invisíveis nos dias caóticos da semana.
A GARÇONETE/ THE WAITRESS,
visto por Kiju Yoshida (JAPÃO). Uma visita ao bairro
da Liberdade, onde se concentra a maior colônia japonesa do mundo,
revela os sofrimentos e as resistências enfrentadas pelas três
gerações de imigrantes do Japão, até a sua integração
na cultura brasileira. A imigração japonesa começou
no início do século 20 e veio para substituir a mão-de-obra
escrava dos negros nas plantações de café. Estas revelações
são ouvidas através de uma entrevista com Takeko Oyama, uma
veterana garçonete de um restaurante de cultura japonesa, conduzida
pela atriz Mariko Okada, mulher de Yoshida e primeira dama do cinema japonês.
CONCRETO/ CONCRETE, narrado
por Caetano Veloso – BRASIL. Um poeta, do alto de
um edifício, nomeia e aponta as construções que vê
com os nomes de árvores em tupi: Jacarandá, caiuá,
paraparaí; Urucum. Ibirapitanga, orabutã, ibirapiranga, ibirapitã
(pau-brasil)... Um forte e contrastante efeito plástico impregna
os edifícios com cores, sombras e luzes crepusculares emocionantes.
Originalmente, todo o território do estado de São Paulo era
coberto de mata atlântica. As florestas em concreto, rebatizadas com
os solenes nomes de árvores em tupi, ecoam como que um novo poema
concreto, como uma nova ‘canção’ de Caetano Veloso.
NOVO MUNDO/ NEW WORLD, visto
por Jim McBride (EUA). Ao mesmo tempo em que o olhar do
cineasta percorre bairros de passado glorioso e paisagens deterioradas de
São Paulo, observa-se a comovente resistência no colorido e
na vida cotidiana de seus habitantes. A crônica reforça que
“a paisagem que resiste guarda as lembranças de um passado
acolhedor; A cultura que resiste é aquela que não queremos
ver.
ENSAIO GERAL/ A REHEARSAL FOR ALL,
visto por Hanna Elias (PALESTINA). O registro generoso
de todo um processo de ensaio geral de uma tradicional Escola de Samba de
São Paulo, a Vai-Vai, com as várias gerações
envolvidas, em plena rua do Bixiga, um tradicional bairro conhecido por
sua ligação com as várias gerações da
imigração italiana.
ALGUMA COISA ACONTECE/ SOMETHING PULLS, visto por Maria
de Medeiros (PORTUGAL – FRANÇA). A emblemática
esquina entre as avenidas Ipiranga e São João, eternizadas
na canção Sampa, de Caetano Veloso, é visitada com
emoção pela câmera de Maria de Medeiros, como cineasta
e como grande atriz. Como atriz, ouvimos na sua voz sussurrada a letra de
Sampa que começa dizendo “Alguma coisa acontece em meu coração,
e só quando cruza a Ipiranga e Avenida São João...”
AQUÁRIO/ AQUARIUM,
visto por Tsai Ming-Liang (TAIWAN). São Paulo tem
a maior concentração mundial de edifícios. Lugares
onde muitas vezes a solidão se esconde e só é vista
quando há sufoco. Quando falta ar. Que faz janela onde menos se espera.
Veremos ambulantes na cidade com suas mercadorias, em dia chuvoso: guarda-chuvas,
vassouras, espanadores e... peixes ornamentais, isolados um a um, em sacos
plásticos pendurados num varal. Estas imagens acabam servindo como
introdução a um grande ‘aquário’ visitado
pelo cineasta, que posta sua câmera em frente a um edifício
decadente, e visita seus apartamentos, revelando o intenso drama de seus
habitantes.
ESPERANÇA/ HOPE, visto
por Ash (EUA). Um percurso noturno da cidade, com seus
desertos e agitação. O cineasta conversa primeiro com uma
personagem noturna, um travesti, falando do seu passado, de seus sonhos
e seus planos para encontrar um príncipe encantado e mudar para uma
vida melhor. Na seqüência de sua busca de personagens com esperança,
conversa com uma jovem de classe média em um bar elegante da cidade,
que sonha ser ‘top model’ e conquistar as passarelas do mundo.
FARTURA/ PLENTIFUL, visto
por Mercedes Moncada (MÉXICO) e Franco de
Peña (VENEZUELA). Por mais intermediários que uma
refeição tenha antes de chegar ao prato, o alimento como mercadoria
tem a dimensão da metrópole em que circula. Os dois cineastas
latino-americanos saíram em busca de personagens responsáveis
pelo colorido, a cenografia e todo o encanto das feiras de rua.
FORMAS/ SHAPES, visto por Andrea Vecchiato
(ITÁLIA). Podemos dizer que não se deve creditar ao passado
de uma cidade o que dela se espera no presente ou no futuro. Que as marcas
de uma cidade são gravadas pelo povo que as têm. Esta é
a cidade que nos desvenda o olhar do cineasta, buscando seus símbolos
que nos acenam com a ficção de futuros bem mais próximos
e bem melhores.
SIGNOS/ SIGNS, visto por Max
Lemcke (ESPANHA). Os símbolos de comunicação
da cidade em uma colagem vertiginosa. As maneiras de expressão de
uma cidade, o excesso de informações visuais e a sedução
pretendida por cada uma delas. Entre todos os signos, modernos e tradicionais,
o olhar atento deve selecionar aqueles realmente vitais no trânsito
cotidiano.
MODERNIDADE/ MODERNITY, visto
por Amos Gitai (ISRAEL). Um novo grande hotel da cidade
abordado dentro dos conceitos de uma arquitetura futurista. O aeroporto
metropolitano comparado a supermercados. Os recursos de uma câmera
digital vistos como fetiches modernos. A solidão nos corredores do
grande hotel e seu contraponto visto da janela, que ilustra uma cidade autofágica,
em constante processo de reconstrução.
ESPERANDO ABBAS/ WAITING FOR ABBAS,
visto por Leon Cakoff (BRASIL). O encontro e o diálogo
com um personagem observado em São Paulo pelo cineasta Abbas Kiarostami
e objeto de um roteiro sobre crianças abandonadas na Avenida Paulista,
onde também se concentra a maior riqueza do país. O ex-menino
de rua, hoje um homem de rua, nervoso e preocupado em defender a sua integridade,
manda um recado singelo e comovente para o cineasta de Gosto de Cereja.
ODISSÉIA/ ODYSSEY,
visto por Daniela Thomas (BRASIL). A situação
inusitada de um elevado que aos domingos é ocupado como área
de lazer. O elevado é percorrido igualmente nos dias em que o tráfico
urbano é soberano em seus domínios. Igualmente ‘personagem’
de seu longa Terra Estrangeira, co-dirigido com Walter Salles, o elevado
adquire aqui uma dimensão homérica, além de oferecer
surpresas plásticas de grande impacto.
BEM-VINDO A SÃO PAULO/ WELCOME TO SÃO
PAULO, visto por Wolfgang Becker (ALEMANHA).
Uma descida vertiginosa sobre São Paulo, desde o ponto de vista macro
de satélite, até se aproximar dos edifícios e ruas.
Começa então uma viagem arterial em busca das identidades
da cidade. A busca termina em uma loja de discos em vinil e no micro-detalhe
de uma agulha que pousa sobre um disco. O disco toca então Sampa,
na gravação original de Caetano Veloso.
Cada segmento é ilustrado por uma coleção de velhas
fotos do começo do século 20 em São Paulo. Essas fotos
são comparadas com a realidade atual e as transformações
sofridas pelos mesmos locais. |
____________________________________
Bem-Vindo a São Paulo / Welcome to São Paulo
Roteiro
Leon Cakoff
Câmera
Aloysio Raulino, Andrea Vecchiato, Ash, Franco de Peña,
Hanna Elias, Jim McBride, Max Lemcke, Mercedes Moncada, Mika Kaurismäki,
Phillip Noyce, Samuel Kobayashi, Tsai Ming Liang, Vanderlei Gussonato,
Vitor Amati, Wolfgang Becker
Música
André Abujamra
Música
adicional
Os dez minutos finais de créditos vêm com o resgate
de uma gravação antiga de “Trem das Onze”, com
Adoniran Barbosa, eleito como a melhor canção de todos os
tempos sobre São Paulo; uma gravação original da
primeira missa composta em São Paulo em 1774, executada pelo Americantiga
e regência de Ricardo Bernardes; e um Caetano Veloso inédito
com a sua locução no segmento “Concreto” de
“Bem-Vindo a São Paulo”, musicada por André
Abujamra.
Produção
Renata de Almeida, Leon Cakoff
Produtora
Mostra Filmes / Mostra Internacional de Cinema / São Paulo
International Film Festival
Rua Antonio Carlos, 288 - 01309-010, São Paulo - Tel. 11. 3141.2548
- Fax. 11. 3266.7066
info@mostra.org
100 minutos
Color and b&w
Distribuidora
VIDEOFILMES
|