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Autores:
Anton Tchekov, Luigi Pirandello e Jean Cocteau
Direção, cenário e figurino: Édi Botelho
Elenco: Ney Latorraca |
3 X Teatro
entrevista com Ney Latorraca
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Ney Latorraca reincorpora
os clássicos
Valmir Santos
- Folha de São Paulo
Em "3 x Teatro",
seu primeiro espetáculo solo em 36 anos de carreira, ator encena Tchecov,
Pirandello e Cocteau
Os quase 12 anos de "O
Mistério de Irma Vap" (1986-1998), fenômeno de bilheteria (2,5
milhões de espectadores) em dobradinha com Marco Nanini, fizeram muito
bem a Ney Latorraca, 56. Mas também fizeram mal.
Correspondem ao período em que, nos seus 36 anos de carreira, ele se distanciou
dos grandes dramaturgos, como William Shakespeare, Federico García Lorca
e Jean Genet.
Em "3 x Teatro", que vem de uma temporada no Rio e estréia hoje
para o público de São Paulo, no teatro Alfa, ele encena Tchecov,
Pirandello e Cocteau, como a recuperar o fôlego perdido.
"Hoje tenho mais humildade para deixar os personagens aparecerem. Já
passei da fase de olhar para o próprio umbigo, o ego está mais bem
alimentado", diz. "Não aguento esse poder das grandes estrelas.
Lugar de monstros sagrados é no parque de diversão."
O Latorraca que lava a alma ao telefone tem muito a ver com o protagonista de
"Fumar Faz Mal à Saúde", do russo Anton Tchecov (1860-1904),
mais conhecida como "Os Malefícios do Tabaco".
Ivanovich Nyukhin é um administrador de empresas que passa a limpo sua
relação com a família. "Ele se abre, expõe suas
mazelas, suas angústias", diz Latorraca. O personagem só reclama,
principalmente da mulher, mas não age. "Pode ser um medíocre,
mas é um medíocre genial."
Em "O Homem com a Flor na Boca", do italiano Luigi Pirandello (1867-1936),
o ator é um homem que, após um diagnóstico de câncer,
passa a dar mais atenção às pequenas coisas.
"Ele fala de uma forma forte e delicada sobre a morte, sempre um tema tabu",
afirma o ator santista. Para encerrar, Latorraca apresenta "O Mentiroso",
monólogo curto do francês Jean Cocteau (1880-1963).
"Cocteau faz um jogo de palavras sobre os vários sentidos do que podem
significar verdade e mentira quando elas se encontram ou se separam", diz.
"3 x Teatro" não dissimula na transição dos três
monólogos. Latorraca fica o tempo todo no palco. Em sua primeira direção,
Edi Botelho concentra tudo no trabalho de ator (no cenário, apenas duas
mesas e duas cadeiras).
O diretor contracenou com Latorraca nas suas montagens mais recentes, como "Quartett",
de Heiner Müller, em 96, e "O Martelo" (99), de Renato Modesto.
Foi Botelho quem convenceu Latorraca a interpretar seu primeiro monólogo.
"É bom quando se trata de um diretor que o conhece como ator no palco",
afirma. No momento, ele também está "em cartaz" na televisão:
é o Cornélio da novela "O Cravo e a Rosa", da TV Globo.
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