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secos e molhados
Eu diria que foi um enorme privilégio entrar na música brasileira via Secos e Molhados - dentro daquele contexto, daquela hora do Brasil. Não tenho saudades, mas acho que foi um privilégio acontecer artisticamente via Secos e Molhados. Acredito que o grupo durou tempo suficiente.
maquiagem marcante
Eu queria liberdade total e absoluta. Quando uma amiga, - Maria Alice, mulher do Paulinho Mendonça, autor da letra 'Sangue Latino' - me enviou uns vidrinhos de purpurina de todas as cores antes da estréia do Secos e Molhados, resolvi usar para pintar olhos e boca. Mandei fazer uma calça de cetim branca, amarrada abaixo da virilha - como se usava - e usei na cabeça uma grinalda de noiva. Eu queria provocar impacto nas pessoas. No dia seguinte, comecei a ganhar coisas do elenco da peça 'A Viagem': pedaços de pano, broches, estrelas. Passei a utilizá-las e, ao mesmo tempo, ampliei meu movimento. Passei a me mexer cada vez mais.
atitude
Para a temporada seguinte, eu achei que o bigode estava atrapalhando, porque eu já pensava em desenhar no meu rosto uma máscara. Fui numa casa de maquiagem para teatro e comprei potes de tinta branca e preta. Me inspirei nas imagens no teatro "kabuki", que para mim eram muito fortes, e com as quais tive contato no bairro da Liberdade, quando morava em São Paulo. Passei a me apresentar mascarado, porque tinha muito medo da exposição. Ouvia dizer que artista não podia andar na rua. Eu tinha pavor de perder esse direito. Na medida em que fui observando o aumento da receptividade ao Secos e Molhados, fui fechando a máscara no meu rosto. Eu não permitia que publicassem fotos minhas sem a pintura. Foi uma atitude.
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