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trajetória
depoimentos

à flor da pele
Gravei 'A Flor da Pele', com Rafael Rabello, pela Som Livre. Conheci Rafael em 'O Pescador de Pérolas' e percebi que era com ele, que eu me sentia mais seguro. Paulo Moura era livre, maravilhoso. Artur lia enquanto tocava, o que é maravilhoso, mas me fazia ter de acompanha-lo, e não ele a mim. Rafael era o contrário: me soltava, me apoiava.

Um dia, ele sugeriu que fizessemos um show juntos. Quando uma comadre em Goiania telefonou dizendo que havia um restaurante por lá, com um palco para inaugurar, o que tinha de ser feito por um só músico ou um cantor com um instrumento, porque era um espaço pequeno, liguei pro Rafael e fiz o convite. Me deu vontade de fazer algo novo: íntimo, em um lugar pequenininho.

Nos apresentamos durante três dias, em Goiânia. Fizemos despretenciosamente, cantei só o que gostava, o que queria, não tinhamos qualquer compromisso. Não estava preocupado se era comercial ou não. Fiquei surpreso de ver a forma com que tocamos as pessoas. Na volta ao Rio relatei o sucesso a Poladiam, que sugeriu que repetissemos o show no Rio de Janeiro. Sugeriu três dias no Hotel Nacional. Estes três dias acabaram se transformando em dois anos e meio viajando, inclusive para fora do Brasil. Foi minha primeira experiência com um só instrumento. O disco, é procurado até hoje.