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trajetória
depoimentos

as aparências enganam
Lui Coimbra convidou para assisti-lo tocar com o grupo Aquarela Carioca. Na época eu buscava uma sonoridade diferente, que fugisse do velho baixo, bateria, guitarra. Quando vi Aquarela Carioca, decidi que estava pronto: convidei o grupo para fazer o disco comigo. Depois, fiz uma participação no disco deles. Gravei 'Mal me quer'. Era interessante combinar sonoridades diferentes. E, ao mesmo tempo, mostrar pessoas que, por tocar música instrumental, têm acesso mais difícil ao mercado. E trás uma novidade para o meu trabalho. Fiz primeiro o show, depois o disco.

estava escrito
Fiz Angela Maria porque no primeiro ano em que dirigi o Prêmio Sharp - dirigi dois Prêmios Sharp -, os homenageados eram Angela Maria e Cauby Peixoto. Tive que pegar o repertório de ambos para trabalhar com intérpretes. E a cada canção, eu não acreditava como ninguém mais cantava aquelas músicas, como aquilo podia estar esquecido. Coisas maravilhosas. Então o José Maurício Machline perguntou: 'por que você não canta?' Pensei: 'sabe que é uma boa idéia?' Fui para a casa do Ricardo Cravo Albin, que é um pesquisador, de onde saí com 45 músicas da Angela Maria, numa fita. Dessas 45, selecionei as 20 que mostrei no show. A estréia foi no Metropolitan. E foi um sucesso. Também cantou uma faixa do disco. Pegamos o que era considerado de mais cafona na Música Popular Brasileira, e mostramos que podia ser diferente. O resultado foi luminoso. Entendemos que o samba-canção é o nosso jazz, o nosso blues, não na sonoridade mas no espírito. O show era muito chique, muito requintado. Não tinha bateria, apenas percussão, violão, baixo, sopro e piano. Fiz esse show durante um ano e meio.

um brasileiro
Era um show que eu queria fazer há muitos anos. Eu me lembro que, antes de fazer o show com a Aquarela Carioca, eu estava numa festa na casa do Caetano Veloso, quando comentei com Chico Buarque que queria fazer um show só com o seu repertório. Para escolher o repertório fui sozinho para o meu sítio, carreguei tudo, ouvi sozinho. Fiz uma relação enorme e percebi que, de uma primeira seleção, predominava o trabalho das décadas de 60 e 70. Então me concentrei nesta fase. João Bosco disse que nunca havia compreendido tão bem as músicas do Chico quanto no meu show. E Chico me chamou de co-autor. Não pode haver comentário melhor que esse. Com o show dele fui para Portugal, Alemanha e Suíça.

cair da tarde
Era uma idéia antiga, eu sempre quis fazer. O Tom Jobim sempre admitiu ter tido uma influência direta de Villa Lobos e eu queria colocá-los juntos. Desisti de fazer o show, porque seria caríssimo. Eu queria pôr duas bandas, um lago no meio. Então fiz só o disco.