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imprensa

Rio de Janeiro, 1996

O Globo
Mauro Ferreira

'Um brasileiro': Auge vocal
Ney alegra obra de Chico com pouca roupa

Ney Matogrosso está sabendo conjugar sua maturidade vocal com as extravagancias que caracterizam a maior parte de sua carreira nos palcos. O espetáculo "Um brasileiro" - baseado no recém-lançado disco homônimo, em que o cantor recria a obra de Chico Buarque - confirma o auge de Ney como intérprete, sem deixar de satisfazer o público que espera ver o cantor sexual e circense dos tempos de sucessos como "Homem com H". Se o disco é elegantemente sóbrio, o show é descontraído. Ney alegra a obra de Chico com figurinos espalhafatosos e muita cor. Na estréia do espetáculo no Metropolitan, na noite de sexta-feira, Ney fez o público delirar quando ficou apenas com um tapa-sexo ao cantar "Partido alto".

O show é ainda melhor do que o disco. Ao vivo, a emoção de Ney ao cantar "Valsinha" e "Minha história", por exemplo, fica mais evidente. "Bom conselho" é cantada de forma incisiva - numa atitude que faltou no disco. "Até o fim" também fica melhor sem a participação tímida de Chico, feita no CD. O único senão do espetáculo é "O vendedor de bananas". A música de Jorge Bem Jor fica deslocada e sem sentido num roteiro apenas de músicas de Chico. "A banda" perde parte da delicadeza da gravação do disco, mas ainda passa bonita no bis.

Como já é tradição nos shows de Ney, a iluminação merece destaque especial. A bela luz valoriza o cenário simples. Tudo é lindo, e o show transcorre leve porque Ney é um cantor com total domínio de palco. Ele sabe conduzir um espetáculo e tem invejável carisma. Basta rebolar e dar uns olhares languidos que a platéia delira. Se Chico Buarque tivesse ido à estréia, certamente teria aprovado "Um brasileiro".