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imprensa

Rio de Janeiro, 1996

O Globo
Edmundo Barreiros

Sem perder o rebolado

Ney Matogrosso sem roupa e cantando Chico Buarque no Metropolitan. Uma receita que não poderia deixar de agradar seus fãs, que lotaram a casa na estréia de Um brasileiro, o novo show do artista, na última sexta-feira.

Havia porém, um temor: o de que Ney se limitasse às canções do disco homônimo que está lançando (cantando só a obra de Chico). Um álbum que começa arrastado e que não empolga. O início, com Estação Mangueira, fez todos pensarem que o show seria diferente. Mas logo Ney começou a cantar as músicas do disco, na mesma ordem em que foram gravadas. Silêncio absoluto, respeito quase reverente. Mas Construção, Moto contínuo, Cala a boca, Bárbara, Mil perdões, Valsinha, Minha estória e Soneto começaram a cansar um pouco.

Ney, então, resolveu bagunçar com o disco. Mudou ordem de músicas e incluiu algumas que não pertencem ao último álbum. E a festa começou. Em Bom conselho, decidiu rebolar. Os fãs enlouqueceram. Tirou o paletó, ficou só de frente única (ótimo figurino de Ocimar Versolato). Veio, então, Partido alto. E ele subiu escadas na parte de trás do cenário e fez strep-tease, fazendo o público urrar quando, só de tapa-sexo, sumiu atrás do palco.

Quando voltou, a platéia queria mais. Acompanhado pela mesma banda que gravou Um brasileiro (destaque para Márcio Montarroyos e Zé Nogueira) e vestido com roupa prateada, capacete e tudo, Ney empolgou com Partido alto, Tanto amor, Corrente, Samba do grande amor e Homenagem ao malandro, antes de fechar com Almanaque. No bis, A banda, Vendedor de banana e Não existe pecado ao Sul do Equador. Ney, que também assina roteiro, direção e a excelente iluminação do espetáculo, fez um ótimo show. Curto (pouco mais de uma hora e 15 minutos), enxuto e visualmente impressionante.