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Florianópolis, abril de 1996
Diário Catarinense
Valéria Rivoire
Um brasileiro sensual
Ney Matogrosso mostrou porque é um artista consagrado nos dois espetáculos que realizou em Florianópolis, (terça-feira e ontem, no CIC) para lançar seu último álbum, Um Brasileiro, onde interpreta Chico Buarque de Holanda. O disco mostra pela primeira vez Ney Matogrosso fazendo uma homenagem a um único compositor.
Tudo perfeito no show. A começar pelo repertório, com músicas selecionadas a dedo pelo cantor, que também assina a iluminação. "Tenho uma visão de luz diferente do geral. Penso nela para o público", disse, ao receber a imprensa no camarim para uma rápida conversa.
O profissionalismo não está aparente somente no palco. É minutos antes de abrirem as portas do teatro que Ney testa o som com a banda. A música escolhida é Construção. Vestindo um jeans desbotado, camiseta de algodão branca e um casaco preto, bebe um achocolatado, faz os últimos ajustes com os oito músicos que o acompanham . Tímido, vai para o camarim impecavelmente arrumado para depois entrar no palco e começar um show "comportado".
Construção; Moto Contínuo; Cala a Boca, Bárbara; Mil Perdões; Valsinha e Minha História trazem uma interpretação elegante quando ele surge no alto de uma escada com um chapéu e paletó azul com detalhes prateados. "Escolhi Ocimar Versolato porque ele é talentoso e competente. É a segunda vez que trabalho com ele."
Sensualidade - A sensualidade começa a tomar conta do show em Bom Conselho. De frente-única vermelha Ney se prepara para, em Deus Dará, exibir o corpo somente com um tapa-sexo. Delírio total na platéia. Com um corpo escultural no auge dos seus 54 anos de idade, exibe o mesmo rebolado dos anos 70, quando escandalizou o Brasil como líder dos Secos & Molhados. "Mostro o corpo porque ele ainda pode ser mostrado, apesar da minha idade. É uma brincadeira que faço com o público", justifica.
O cenário se transforma num colorido floral para Até o Fim. A partir daí surge o que todos queriam ver. O cantor toma conta do palco e faz das canções de Chico Buarque o que nunca se viu antes. É sensualidade pura sem esquecer da "malandragem carioca", sempre presente no compositor. Vestindo um exuberante figurino prateado, interpreta Amo Tanto, Corrente, Almanaque e Mentira. "O disco é só a espinha dorsal do show que é muito mais abrangente. Incluo canções que não fazem parte do disco."
No final , A Banda, Vendedor de Bananas e Não Existe Pecado ao Sul do Equador confirmam a ótima banda para fechar o espetáculo de pouco mais de uma hora e quinze minutos. "Inclui Jorge Ben Jor no repertório porque vejo que todos nós somos "vendedores de bananas". A Música também serve de introdução para Não Existe Pecado...", diz o cantor que fez em Florianópolis um espetáculo com direito até pirotecnia. Simplesmente perfeito.
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