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Revista Quem
Por Marcus Preto
Homem do palco
QUEM - Você se adaptou muito bem à sonoridade de Pedro Luis e a Parede. É muito difícil entrar em uma estrutura pronta?
NEY MATOGROSSO - Aconteceu também com o Placa Luminosa, nos anos 80. Não tem dificuldade. Eu chego aberto numa empreitada dessas. Se não for pra ser assim, melhor nem se meter. Este caso era especial porque eu estava dividindo com alguém o ato de cantar e isso é muito íntimo. Mas gosto tanto de me aproveitar da variedade de sonoridade que esses outros artistas podem proporcionar.
QUEM - Seu show Canto em Qualquer Canto seria um só programa de TV e acabou rendendo disco, DVD e turnê. Foi mais ou menos assim também com o projeto do Cartola. O acaso tem guiado sua vida desde sempre? Você acredita nisso?
NEY MATOGROSSO - Tenho muita abertura para esses acontecimentos. Tudo poderia ser controlado, bastava eu recusar. Mas quando alguma coisa vem em minha direção com a força que essas coisas vieram, não posso dizer 'não'. Adiei um disco inédito, com músicas e compositores novos, porque tem muita coisa com a minha cara no ar. Preciso dar uma recuada neste momento para evitar desgaste.
QUEM - Alguns artistas da sua geração amornaram no palco, perderam intensidade cênica - o que está longe de ter acontecido contigo. Manter o vigor é uma questão física, psicológica, o quê?
NEY MATOGROSSO - É uma questão mental. Eu ainda tenho força e não vou negar isso. Quando fiz 60 anos, me fiz essa pergunta. Mas a resposta era óbvia: a idade vai me afetar um dia, mas ainda não me afetou. Tem gente que acredita que ficou velha e acha que tem que agir de outra maneira, se recompor, cantar de forma diferente. Eu não me sinto um homem de 65 anos, por que vou me comportar como um?
QUEM - Você lançou uma biografia nos anos 90, Um Cara Meio Estranho, quando ainda não era comum esse tipo de livro entre os artistas brasileiros. Você pensa em reescrever isso? Deve ter faltado muita coisa interessante para ser contada... A história de Rita Lee vai virar filme, por exemplo.
Giovani Tartari - De jeito nenhum, tenho até medo dessas homenagens. Não estou falando mal, mas o filme do Cazuza é tão redutor que me incomoda. Eu entendo que é impossível descrever uma vida em um filme, mas quem conhece a história real, acaba entrando em crise. Por isso não gosto nem de pensar em alguma coisa parecida retratando a minha vida. Deixa eu ir embora primeiro.
QUEM - Você é um dos artistas brasileiros que mais lançaram DVDs. Por que a 'música para ver' anda tão atraente?
NEY MATOGROSSO - A minha vida inteira eu esperei por essa mídia. Sempre achava que os discos que eu fazia estavam aquém do que eu podia render e isso até me frustrava algumas vezes. Funciono muito melhor no calor do palco do que preso no estúdio, sempre foi assim.
Fonte: Revista Quem - http://revistaquem.globo.com/Quem/0,6993,EQG1261512-3428,00.html
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