home
 
   
   
imprensa


Músico sonha voltar ao Teatro

Ney no canto mais próximo

Irreverente e criador compulsivo, arrojado e destemido, Ney Matogrosso, um dos grandes mestres da música brasileira, está de regresso a Portugal, nos próximos dias 15 e 16, para apresentar nos Coliseus do Porto e Lisboa o aclamado espectáculo ‘Canto em Qualquer Canto’.

Cantor que dispensa apresentações, Ney Matogrosso criou o espectáculo em 2005 com um repertório que inclui temas inéditos mas também as canções favoritas do próprio músico como ‘Ardente’, de Joyce, ‘Já te Falei’, dos Tribalistas, ‘Oriente’, de Gilberto Gil, ‘Rosa de Hiroxima’, da sua antiga banda Secos e Molhados, ou ‘Canto em Qualquer Canto’, o tema que dá nome ao espectáculo, de Itamar Assumpção e Ná Ozetti.

“Mas este é um espectáculo que tem vindo sempre a amadurecer, a crescer. Foi inicialmente concebido para um programa de televisão, com apenas 14 canções, mas assim que passou para o palco foi descobrindo novas possibilidades. E depois esteve em constante revitalização ao longo do último ano. Em Portugal, será a despedida em apoteose”, afirma o músico em entrevista ao Correio Êxito.

Devido ao elevado nível de exigência dos temas que compõem o alinhamento, Ney Matogrosso necessitou de recrutar novos músicos para o acompanharem durante a digressão, e no lote dos ‘felizes contemplados’ houve lugar para o português Pedro Jóia. Do guitarrista luso, Matogrosso adoptou ainda um tema, mais concretamente ‘Duas Nuvens’, escrito em parceria com Tiago Torres da Silva.

“Conheci o Pedro através de uma cantora portuguesa, a Né Ladeiras. É um excelente músico, que desde o início esteve na minha primeira linha de escolha. Muito talentoso, dedicado”, garante Ney, que ao longo dos dois últimos anos apresentou “Canto em qualquer Canto” em locais tão diferentes como praias, hotéis ou salas de exposição.

Em resposta ao título do espectáculo, entretanto já registado em disco e em DVD, Ney Matogrosso confirma a naturalidade com que veste a pele de ‘performer’. “Sou mesmo assim como diz a canção. Canto em qualquer canto, lugar. Da mesma maneira que componho em todos os sítios”, confessa. E nem o ‘peso’ de mais de trinta anos de carreira lhe roubou o fulgor criativo: “Continuo como no primeiro dia. Com a mesma fúria criativa, a mesma insatisfação...”

No entanto, há certos desafios que continuam a exercer um profundo apelo junto de Ney, como é o caso do teatro.

“Foi por aí que comecei e nunca perdi o bichinho. Fui fazendo sempre teatro, e também cinema, mas, na verdade, nunca parei na música para me dedicar inteiramente a um projecto desse género. Uma peça leva tempo a preparar, a ensaiar, depois é preciso levar à cena... Mas esse é um dos grandes desejos da minha vida”, revela.

Porém, vendo bem, a música também só lhe trouxe boas memórias: “Nunca penso em bons ou maus momentos. Mas olho para trás e sinto sobretudo que houve coerência em todas as minhas formas de ver a arte.

PERFIL

Desde tenra infância que a vida de Ney Matogrosso se pautou pela constante mudança, devido à carreira militar do pai. E também desde cedo Ney de Souza Pereira (o seu verdadeiro nome!) mostrou apetência especial pelas artes.

O desejo de sair de casa dos pais levou-o a alistar-se como voluntário na Força Aérea Brasileira, com apenas 17 anos. Mas o gosto pela música e pelo teatro falou mais alto e levou-o a partir para o Rio de Janeiro. Por lá, aceitou o convite para integrar a banda que iria popularizá-lo, os Secos e Molhados. Seguiu-se uma carreira a solo que já conta com 32 anos.

Fonte: http://www.correiomanha.pt