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imprensa

12/02/2011

Hoje em Dia
Viviane Moreno

'Beijo Bandido' ganha versão 'ao vivo'

Ney Matogrosso gravou o CD/DVD no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, quebrando uma tradição do espaço

Ney Matogrosso acaba de lançar em CD/DVD o registro ao vivo da turnê "Beijo Bandido", baseada no premiado álbum homônimo, de estúdio, lançado em 2009. O show foi gravado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, dia 31 de agosto de 2010. Um registro histórico, já que é o primeiro DVD não clássico gravado no espaço, reinaugurado seis meses antes.

O intérprete conta, por telefone, do Rio de Janeiro, que conseguiu realizar este sonho antigo depois que recebeu um convite da primeira-dama fluminense Adriana Ancelmo para fazer um show beneficente no local, em prol do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan).

Ney aceitou o convite, mas negociou uma segunda noite de show para a gravação. "Peguei ele novinho, restaurado, está lindo. Era um sonho antigo, sempre quis cantar lá, mas antigamente não deixavam fazer música popular. Dirigi algumas entregas de prêmio nele, cantei uma música ou outra, mas nunca tinha feito um show", diz, acrescentando que gostaria de voltar àquele palco para encerrar a temporada de "Beijo Bandido".

Por falar nisso, com o "ao vivo" nas lojas, a turnê iniciada há pouco mais de um ano ganha novo fôlego e certamente voltará a BH, em data ainda não definida. "Esse show está tendo uma sobrevida muito forte com a gravação do DVD, estou refazendo o Brasil todo, vou voltar ao Sul, ao Nordeste", observa, acrescentando, categórico, que não vai precipitar nada, mesmo confirmando já ter algumas músicas selecionadas para o próximo trabalho, incluindo duas bandas novas, uma do Rio outra de São Paulo, que ele prefere manter os nomes em sigilo.

Garante apenas que, como de costume, seguirá um caminho diferente de "Beijo Bandido". "Gosto de fazer sempre uma coisa diferente para me manter estimulado", justifica, lembrando que nunca fez um show reunindo sucessos da carreira.

Coletâneas também não costumam agradar o artista. "Acho uma ou outra razoável".
Em contraposição à sonoridade roqueira do projeto anterior, "Inclassificáveis", "Beijo Bandido" mergulha em uma atmosfera de recital, quase camerística. Dividindo o palco com Ney Matogrosso, Leandro Braga (direção musical, arranjos e piano), Lui Coimbra (cello e violão), Alexandre Casado (violino e bandolim) e Felipe Roseno (percussão).

Comparado ao álbum de estúdio, cujas 14 faixas ganharam versão ao vivo, as novidades ficam por conta de "Da Cor do Pecado" (Bororó), "Incinero" (José Paulo Becker), "O Poema dos Olhos da Amada" (Vinicius de Moraes e Paulo Soledade), "Tema de Amor de Gabriela" (Tom Jobim) e "Fala" (João Ricardo e Luli), única música que entrou já na estrada, mas antes da passagem pela capital mineira. "Ela entrou em Portugal, no começo de 2010, e ficou. Achei que é um fecho muito bom, para devolver a palavra para o público".

Já o CD traz duas faixas bônus, em estúdio: "Seu Tipo" (Eduardo Dusek), incluída na trilha sonora do remake de Ti -Ti-Ti, e "Verdade da Vida" (C. Lacerda e R. Mascarenhas), gravada à pedido de Gilberto Braga para a novela Insensato Coração.

Projetos são muitos, aos 69

Ney Matogrosso completa 70 anos dia 1º de agosto, mas diz que não pretende comemorar a data. E avisa: não gosta de homenagens. "Estou vivendo minha vida. Embora esteja bem para a idade, mantenho o tônus muscular, a flexibilidade, a agilidade, mas os cabelos estão caindo; minha pele é muito boa, mas já foi melhor. Não vou ficar puxando minha cara, mas não é agradável envelhecer, não me sinto um senhor de 70 anos", diz, ponderando que, artisticamente, houve um amadurecimento. "Não há a ansiedade que eu tinha nos dez primeiros anos de carreira, tenho mais certeza da minha capacidade, isso me deixa mais tranquilo".

Entre os projetos, Ney quer investir no lado ator, depois de protagonizar o longa-metragem "Luz nas Trevas - A Volta do Bandido da Luz Vermelha", premiado em festivais e previsto para chegar ao circuito comercial no segundo semestre. O filme foi dirigido por Helena Ignez, viúva do cineasta Rogério Sganzerla (1946-2004), responsável por "O Bandido da Luz Vermelha", de 1968.

"Não estou passando vergonha, consegui transmitir uma veracidade ao personagem", avalia Ney, contando que já recebeu outra proposta, mas o papel não interessou. "Não quero fazer por fazer, quero ter o mesmo critério que tenho com a música de só fazer o que gosto. Não me interesso por fazer um bom rapaz, os vilões são mais interessantes. Queria fazer um louco, um assassino, serial killer, que morresse, deve ser interessante fazer alguém que está morrendo".

Fonte: Hoje em Dia