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Isto é Gente
Ney Matogrosso
Em 1974, Ney Matogrosso fez seu
último show com o grupo Secos & Molhados, que o havia
consagrado no cenário musical graças às pinturas
no rosto e a ousada performance no palco. Na apresentação
derradeira, ele surpreendeu ainda mais. “Fiz coisas que
eu não fazia. Eu me joguei no chão e me arrastei
pelo palco. Quando vi, já estava fazendo isso; não
foi nada planejado”, lembra. A saída de Ney do conjunto
só foi anunciada ao público após o lançamento
do segundo disco. “Nunca senti falta do Secos. Fora do grupo,
eu era livre, podia fazer o que quisesse. Pensaram que eu iria
voltar para o Mato Grosso e criar galinhas, mas não foi
o que aconteceu”, diz. Em março do ano seguinte,
ele lançou o primeiro disco solo, Água do Céu
Pássaro, no qual cantou com seu timbre inconfundível
músicas de compositores como Milton Nascimento e João
Bosco. Não era a primeira vez que Ney tinha a sensação
de liberdade. Cinco anos antes, foi exatamente isso que provou
ao se alistar como voluntário na Aeronáutica (foto
no detalhe), no Rio de Janeiro, e deixar a casa da família,
em Campo Grande (MS), onde o pai reprimia seu desejo de ser artista.
“Apesar de toda a restrição que o quartel
impunha, eu era independente pela primeira vez.” No local,
Ney teve a inédita experiência de ver dois homens
se beijando e precisou se adaptar à disciplina militar,
que incluía aulas de ginástica que começavam
às 5h30 da manhã e terminavam com um mergulho no
mar. “Nessa época, eu não acordava, era acordado.
Foi assim durante dois anos”, recorda-se, sem saudade da
rotina matinal. “Agora vivo como gosto: de manhã,
eu não existo. Só acordo em caso de extrema necessidade”,
diz ele, que, em 2004, gravou o disco Vagabundo, com o grupo Pedro
Luís e a Parede.
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