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Ney Matogrosso reforça a renovação desde a Parede
Ricardo Schott - JB
Inclassificáveis, novo show de Ney Matogrosso, em temporada que termina hoje no Canecão e estreou na quinta-feira para 1.800 pessoas, põe o cantor em vantagem diante de outros artistas brasileiros, sobretudo pela sua conceituação. É ela que o deixa além de muitos trabalhos recentes da MPB e, em especial, do pop-rock nacional. A partir da música-título do show, feita por Arnaldo Antunes (um maracatu com versos como "Que preto/que branco/que índio o quê!/somos todos inclassificáveis") e da própria sensação que evoca na platéia, fica claro que o lema de Ney é a sua liberdade pessoal. Esta se estende para as letras que grava, para a produção de seus shows e para o passeio rítmico que, comandado por ele, vai do samba à música grega em minutos.
Mudança de roupa e de cenário
O novo espetáculo dá indícios desses caminhos. Ney fez três trocas de roupa, além de várias mudanças de acessórios e de cenário - que, mutante, se confunde com a iluminação, a partir da música que vem a seguir. O rock-rap Ode aos ratos, da lavra de Chico Buarque e Edu Lobo, termina com uma cruz projetada no pano de fundo, que intensifica a letra crítica. O arranjo ganha guitarras distorcidas. As luzes do palco, usadas eficientemente como recurso cênico, se confundem com o próprio Ney, como na iluminação branca acionada nos movimentos do cantor no bis, com Pro dia nascer feliz, de Frejat e Cazuza - também lembrados com Porque a gente é assim?.
Inclassificáveis não existiria sem que Ney tivesse gravado o disco Vagabundo em 2004, com Pedro Luis e a Parede. Isso pode ser visto no roteiro, que dialoga tanto com fãs antigos quanto com a nova geração fã de pop, rock nacional e samba tradicional - lembrada com a inclusão de Veja bem, meu bem, do Los Hermanos, um híbrido exato de bolero e rock, com guitarras slide e acordeon feito no teclado pelo maestro Emilio Carrera.
E também na própria "parede" de Ney, formada pela bateria de Sérgio Machado e pelos percussionistas Felipe Roseno e DJ Tubarão, este também responsável por samples, como o som de carros de polícia em Ode aos ratos. O trio imprime um aspecto selvagem e pesado a músicas como Cavaleiro de Aruanda (Tony Osanah), O tempo não pára (Arnaldo Brandão/Cazuza) e à disco-music Coragem, coração (Carlos Rennó e Claudio Monjope).
A aproximação com o pop faz com que Ney consiga dialogar com esferas mais recentes da música brasileira. E revela que, fazendo jus ao nome do show, rotular seu trabalho continua sendo um desafio.
Fonte: JB
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