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Um artista excepcional
Da redação

Ney Matogrosso começou 2008 em grande estilo. Inclassificáveis, o show que estreou essa semana, surpreendeu o público do Canecão com sua juventude e otimismo. “O espetáculo transmite algo de positivo na forma como foi concebido. O público saiu do Canecão acreditando mais na vida”, disse o médico Roger Levi. O diretor de teatro Marcus Alvisi também ficou impressionado com o que viu e ouviu. “Tudo funciona no palco. A voz dele está cada vez mais afinada. A iluminação é linda. E os figurinos surpreendem”, diz Alvisi. “O Ney é um acontecimento. Um artista único no mundo do entretenimento”, afirma a atriz Kati Pinto. Glória Perez, André Gonçalves, Marjorie Estiano, Maitê Proença, Luiz Fernando Guimarães e Luiza Brunet também foram conferir a performance do artista.

Sem medo de ser feliz, Ney faz um retorno ao pop rock, dessa vez com elementos glitter. Os figurinos de Ocimar Versolatto remetem tanto a um musical da Broadway, quanto a uma peça de teatro infantil. Há muito brilho. Muito paetê. Muito glamour estilizado. Musicalmente há uma mudança radical com relação ao seu último show, quando o cantor se apresentou acompanhado de quatro violões. Agora Ney entra em cena com uma banda de rock e um DJ, essa figura onipresente na música do século 21.

Inclassificáveis é o nome de uma canção de Arnaldo Antunes que faz parte do repertório e diz respeito ao jeito de ser e de viver do povo brasileiro. O espetáculo estreou em São Paulo em Outubro, com excelente repercussão. Depois fez temporadas em Florianópolis, Juiz de Fora e Curitiba. No Rio o artista vai gravar um DVD com o registro de sua performance.

No repertório só biscoitos finos. Ney canta Divino Maravilhoso, de Caetano Veloso; Cavaleiro de Aruanda, de Tony Osanah; Ode aos ratos, de Chico Buarque e Edu Lobo; Sea, de Jorge Drextler; Veja bem, meu bem, de Marcelo Camelo; Fraterno, de Pedro Luís; Leve de Iara Rennó e Alice Ruiz. Na abertura e no encerramento canções de Cazuza: O tempo não pára e Pro dia nascer feliz.

Entre todas as músicas do repertório do show uma merece destaque: Mal necessário, do compositor gaúcho Mauro Kwitko. Ney gravou essa canção no disco Feitiço, de 1978 e ela se tornou um marco em sua carreira, talvez por traduzir um pouco de sua própria personalidade. A letra diz: Sou um homem, sou um bicho, sou uma mulher, sou a mesa e as cadeiras desse cabaré. É uma das mais belas canções do repertório do cantor.

O autor da canção Mauro Kwitko era um médico jovem e bonitão que freqüentava a praia na Montenegro, em Ipanema, enquanto tentava a sorte como cantor e compositor no Rio. As garotas eram loucas por ele, pois o achavam a cara do jovem Robert de Niro. Apesar de ter conseguido emplacar um clássico na MPB, a medicina falou mais alto e ele voltou para o Rio Grande do Sul. Na sua terra natal se dedicou a pesquisar a Psicoterapia Reencarnacionista e Regressão Terapêutica, formas de tratamento que trabalham o mundo espiritual. Saiba mais sobre a curiosa medicina do autor de Mal Necessário no site www.maurokwitko.com.br

Mal Necessário
(Mauro Kwitko)

Sou um homem, sou um bicho, sou uma mulher
Sou as mesas e as cadeiras desse cabaré
Sou o seu amor profundo, sou o seu lugar no mundo
Sou a febre que lhe queima mas você não deixa
Sou a sua voz que grita, mas você não aceita
O ouvido que lhe escuta quando as vozes se ocultam
Nos bares, na lama, nos lares, na cama.

Sou o novo, sou o antigo, sou o que não tem tempo
O que sempre esteve vivo, mas nem sempre atento
O que nunca lhe fez falta, o que lhe atormenta e mata

Sou o certo, sou o errado, sou o que divide
O que não tem duas partes, na verdade existe
Oferece a outra face, mas não esquece o que lhe fazem
Nos bares, na lama, nos lares, na cama.


(Fotomontagem: Thereza Eugênia)
Fonte: Sidney Rezende