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Não quis lembrar os Secos & Molhados
Ney Matogrosso Especial para o JB
Sempre é muito excitante estrear um show, como farei hoje no Canecão com meu espetáculo Inclassificáveis. O Rio é uma vitrine. Fazer apresentações em outras cidades antes da estréia carioca me deu uma tranqüilidade maior. Fiz algumas mudanças, a começar pela duração do espetáculo. Antes os shows tinham 1h40, mas não havia envolvimento. Mudei para 1h30, porque assim funciona melhor. Mais do que isso cansa o público e a mim também. No Canecão gravarei meu DVD. Já gravei o disco de estúdio em 17 dias durante o mês de dezembro. Deve sair depois do carnaval.
Antes deste show no Rio, cantei num campo de futebol em Natal (no estádio do Machadão, no festival de música da capital do Rio Grande do Norte, dia 23). A receptividade foi ótima: cerca de 30 mil pessoas viram este meu trabalho novo.
Também fiz uma curta temporada em São Paulo. Minha nova banda é de lá (o baixista Carlinhos Noronha, o guitarrista Júnior Meirelles, o baterista Sérgio Machado, o pianista, tecladista e diretor musical Emilio Carrera e os percussionistas Tubarão e Felipe Roseno).
São músicos pouco conhecidos selecionados pelo Emílio Carrera - trabalhei com Emílio na época do Secos & Molhados. Eu estava no meu sítio e fiquei ouvindo os dois primeiros discos do S&M. E pensei: "Esse pianista é bom à beça... Por onde será que ele anda?" Chamei Emilio para ver um dos shows da minha última turnê, Canto em qualquer canto, e o convidei para trabalhar comigo.
Com os músicos de minha nova banda não tem problema. Topam pintar o rosto, são muito profissionais. Já tínhamos tentado outra banda, mas era muito grande e não deu certo. Gostei desta nova banda de cara.
Guinada de volta ao pop
Eu gosto de rock e de pop. E queria dar uma reavivada no repertório, lançar novos compositores. Selecionar o repertório é simples: você vai ouvindo e vai gostando. Mas eu já tinha uma espinha dorsal da história: O tempo não pára (Cazuza e Arnaldo Brandão), Mal necessário (Mauro Kwitko), Ode aos ratos (Chico Buarque e Edu Lobo), Inclassificáveis (Arnaldo Antunes) e Divino maravilhoso (Caetano Veloso e Gilberto Gil). A complementação veio com muitos compositores paulistas (incluindo nomes da vanguarda paulista, como Itamar Assumpção e Alice Ruiz). O percentual de músicas feitas por paulistas é grande, mas isso não foi planejado.
Meu figurino é tão extravagante como o de trabalhos anteriores. Não houve preocupação ou intenção de lembrar os Secos & Molhad os com esses novos figurinos (de Ocimar Versolato). Isso não tem nada a ver.
[ 03/01/2008 ] 02:01
Fonte: Ney Matogrosso especial para o Jornal do Brasil
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