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Ney Matogrosso atua em curta
Karen Lemos - Especial para BR Press
São Paulo, BR Press
Sempre transgressor, não é só no mundo da música que Ney Matogrosso quebra os tabus da sociedade. No curta Depois de Tudo, que tem sessões a partir desta quarta (19/11), no Festival de Cinema Mix Brasil, Ney vive um homossexual na terceira idade, que mantém um relacionamento a mais de 30 anos com o personagem do ator Nildo Parente.
Com muita sensibilidade, o curta acompanha, em 12 minutos, um dia na vida do casal. Eles se encontram, jantam, assistem a um filme, fazem amor e dormem juntos. Na manhã seguinte, tudo volta ao normal, cada um vai para sua casa e esperam pelo dia que voltarão a se ver.
Não é a primeira vez de Ney Matogrosso no cinema. Em 1987, ele atuou no filme Sonho de Valsa, de Ana Carolina, ao lado da atriz Xuxa Lopez; no ano seguinte, o cantor encarou novamente as câmeras no curta experimental Caramujo-Flor, que debateu a poesia de Manoel de Barros. O filme recebeu vários prêmios em importantes festivais de cinema, como os de Brasília e Gramado.
Luz Vermelha
Ainda se espera uma outra intervenção de Ney no cinema para o ano que vem. Trata-se de Luz nas Trevas / A Revolta de Luz Vermelha, continuação de O Bandido da Luz Vermelha (1968), de Rogério Sganzerla. O filme conta a história de João Acácio, conhecido como "o bandido da luz vermelha". No filme, Ney interpreta o próprio Acácio, que ficou preso por muitos anos, quando descobre que tem um filho e decide, então, ir atrás dele.
Depois de Tudo está na mostra competitiva de curtas do Mix Brasil e pode ser conferido quarta-feira (19/11), às 20h15, no Auditório do MIS, e quinta (20/11), às 18h, no Centro Cultural da Juventude.
Confira agora uma entrevista com o diretor Rafael Saar. Depois de Tudo é seu sétimo trabalho, no qual dirige e também assina o roteiro. O cineasta fala de suas influências, de como surgiu a idéia do tema, a seleção do elenco e a importância de um festival como o Mix Brasil, que aborda a diversidade sexual.
Como surgiu a idéia do tema de Depois de Tudo?
Rafael Saar - A idéia era a princípio mostrar um casal de idosos e gays. O desenvolvimento foi muito simples porque é um filme que mostra o cotidiano. Os personagens não são ou talvez não foram mostrados ainda no cinema ou na TV. O que foi feito é construir tudo da maneira mais natural e bonita possível, sem cair na pieguice.
Como foi a seleção dos atores? Ney Matogrosso não é ator profissional, qual foi o motivo da escolha dele para o elenco?
Rafael Saar - Encontrar atores que aceitassem estava sendo difícil. O Nildo, conheci através de um amigo e, quando mostrei o roteiro e falei do Ney, ele topou na hora. O Ney eu conheci no Homem-ave (filme de Rafael que ainda está em processo de produção, no qual Ney faz a narração) e também trabalhei no documentário do Joel Pizzini sobre ele. Levei o roteiro na casa dele, ele leu na hora e gostou. O Ney é um ator, e usa isso da melhor forma no trabalho dele com música. Não foi uma escolha propriamente dita, foi um encontro. Tê-lo no filme trouxe uma representação muito interessante pelo papel histórico que ele tem no questionamento dos padrões sexuais.
Você teve alguma influência para realizar essa obra?
Rafael Saar - No filme há uma referência visual a Liberdade É Azul, de Kristoff Kieslowski. O cinema de poesia é o que me atrai. Pasolini, Tarkovski, Bertolucci, Godard são os que me fazem pensar e fazer cinema.
Como tem sido a recepção do público e crítica do seu trabalho?
Rafael Saar - A repercussão de um curta-metragem ainda é bem reduzida, mas tenho recebido mensagens e lido alguns textos que fazem com que eu continue a fazer o que gosto.
Fale sobre os seus próximos projetos.
Rafael Saar - Agora estou na preparação de um documentário sobre a Baby do Brasil e trabalho com o Joel Pizzini, no documentário que ele dirige sobre o Ney.
Confira as datas de exibição de Depois de Tudo:
Auditório do MIS / Av. Europa, 158; (11) 2117-4777
Centro Cultural da Juventude / Av. Deputado Emilio Carlos, 3641; (11) 3984-2466
Fonte: BR Press
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