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Diário do Grande ABC
Heloísa Cestari

Jazz embala Suíça

O jazz vai ditar o ritmo deste verão nos quatro cantos da Suíça. Ao longo de julho, localidades como Lugano, Ascona, Lenk, Zurique, Davos, Locarno e Fribourg serão tomadas por uma série de eventos do gênero. O mais importante deles é o Festival de Jazz de Montreux.

Para comemorar o jubileu de 40 anos do festival e o 70º aniversário de seu fundador, Claude Nobs, a pequena cidade, de 23 mil habitantes, organizou uma agenda com atrações de peso que promete atrair visitantes de todas as partes do mundo deixando a população até dez vezes maior.

Considerado um dos eventos mais ecléticos do gênero no mundo, o festival reunirá, entre os dias 30 de junho e 15 de julho, não só a nata do jazz como grandes ícones do rock, blues, soul, pop, world music, funk, reggae, rhythm’n’blues e da música eletrônica. Nomes como B.B. King, Sting, Robert Plant, Jimmy Page, Simply Red, Santana, Sean Paul, The Black Eyed Peas, Brian Adams e The Strokes estrelam entre os destaques da programação, que também dedicará várias noites ao melhor da MPB, com as presenças já confirmadas de Martinho da Vila, Gilberto Gil, Carlinhos Brown, Marcelo D2, Ney Matogrosso, Margareth Menezes, Leci Brandão e Maria Rita, entre outros.

Outro destaque é a banda Deep Purple, que será homenageada em três obras do artista britânico Julian Opie devido a sua histórica ligação com Montreux e o criador do festival. Em 1972, a banda assistia ao concerto de Frank Zappa na cidade quando o cassino e o anfiteatro onde estava sendo realizado o show pegaram fogo. O incidente inspirou o Deep Purple a compor um dos seus maiores clássicos: Smoke on the Water – na tradução, “fumaça sobre as águas”, em alusão à proximidade do local do incêndio com o lago Léman, que também serviu de tema para a capa do disco Made in Heaven, do Queen.
Para os que ainda mantêm o trauma de assistir a shows em recinto fechado, os trens de jazz de Montreux garantem espetáculos à parte tendo como cenário as belíssimas paisagens da Riviera e dos Alpes suíços. Três deles são panorâmicos e cumprem o percurso de Montreux até Gstaad. Outros três seguem para Rochers-de-Naye, o ponto mais alto de Montreux, com 2 mil metros de altitude. Nem dá para pensar em fogo no meio de tamanhas montanhas de neve.

Quem prefere água a trilhos também pode recorrer aos barcos de jazz de Montreux, que promovem animados cruzeiros musicais pelas águas do lago Léman com até 1,1 mil amantes da música a bordo. No calçadão que margeia o lago e nas praças adjacentes, aliás, esculturas metálicas de instrumentos musicais e estátuas de astros da grandeza de B.B. King, Ray Charles e Freddie Mercury revelam a predileção natural de Montreux ao mundo dos acordes. Se pintar saudades do solo verde-amarelo, no entanto, dê preferência às embarcações Barco Quente Brasil e Brasil Boat, que proporcionam trës horas e meia de músicas que todo brasileiro conhece de cor.

Em terra firme, a maior parte das apresentações se concentrará em três pontos: o suntuoso auditório Stravinsky, o Miles Davis Hall e o cassino Barrière. O preço dos ingressos varia de 90 a 200 francos suíços – algo em torno de R$ 162 a R$ 360 –, mas também haverá shows gratuitos ao ar livre.