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Montreux cura ressaca de Brasil

A Copa foi perdida, mas a música brilha em Montreux. Durante dois dias, os brasileiros deram o ritmo de um dos festivais de jazz mais conhecidos no mundo.

Carlinhos Brown, Martinho da Vila, Maria Rita, Leci Brandão, Ney Matogrosso, Margareth Menezes e até mesmo o ministro da Cultura Gilberto Gil foram as estrelas que afagaram o coração do torcedor.

O clima é de luto pós-Copa. Ao contrário dos anos anteriores, a 40ª edição do Festival de Jazz de Montreux não está servindo de palco de celebração para o verde e amarelo varonil. Mesmo nos dias brasileiros, os brazucas se misturam na massa. Alguns usam até camisas da seleção italiana. O negócio é esquecer o futebol e cair no samba.

Mas não é completamente verdade: no meio da multidão, que passeia entre as barraquinhas de comidas exóticas e artesanato nessa cidadezinha de 23 mil habitantes às margens do lago Léman, se vê, espaçadamente, uma ou outra camisa com as cores nacionais. Porém as feições européias das pessoas que as carregam revelam mais um europeu apaixonado pelo Brasil ou pela música brasileira. Esta não sofre dos azares do jogo e brilha mais do que nunca.

O Brasil é um pais vitorioso, gente. Esqueçam a Copa e acreditem no nosso país", clamou o baiano Carlinhos Brown à platéia durante sua animada apresentação na segunda noite brasileira, ocorrida no sábado (7 de julho).

Conhecido internacionalmente e parceiro de outras estrelas da MPB, Carlinhos Brown e sua banda foram os primeiros subir no palco nesse dia. Durante os cinqüenta minutos de show, ele dançou, cantou e tocou vários instrumentos, mostrando também que sua música não se limita às fronteiras culturais da Bahia, mas já passeia entre os ritmos do Caribe e também do tecno. Em francês quase fluente, ele chegou a colocar o público para dançar e se movimentar no ritmo de sucessos como "Água Mineral" ou "A Namorada".
Força da negritude

Depois que Carlinhos Brown se despediu do público, quem subiu ao palco foi uma das vozes femininas mais fortes da MPB: a cantora afropop Margareth Menezes. Seu show foi a execução do mais puro samba-reggae, que animou a grande platéia de brasileiros presentes no festival em Montreux. "Para mim ela traz o carnaval, que há muito tempo eu já não consigo festejar", disse Cláudia, uma brasileira que vive há cinco anos na Suíça e que não parava de dançar no camarote da imprensa.

A enérgica baiana tocou várias composições do seu último CD, intitulado "Pra você", como "Como Tu" e "Abanaê", mas também antigos sucessos como "Sou Araketu" e "Ilê que fala de amor".
A noite terminaria com o show do ministro da Cultura do Brasil, o também baiano Gilberto Gil, que também decidiu enxugar as lágrimas dos torcedores brasileiros presentes no festival. "O Brasil não ganhou na Copa, mas a nossa música já é vitoriosa. Vamos dançar gente", convidou o músico, que também revelou ao público que comemorou os 64 anos durante um concerto em Londres.

Mesmo com o cargo político e a idade veterana, Gilberto Gil parece que não mudou durante os anos. Magro, cabelos rastafari pregados numa trança, o baiano estava acompanhado por um naipe de conhecidos músicos brasileiros Sérgio Chiaavazzoli e Bem Gil (guitarras), Arthur Maia (baixo) Jorge Gomes (bateria), Cláudio Andrade (teclas) e Gustavo di Dalva (percussão).
O show foi um desfile de antigos sucessos como "Toda menina baiana" e "Andar com fé", além de sucessos do reggae como "Positive Vibration" e "Could you be loved", duas composições do Bob Marley, e "Alagados" do Paralamas do Sucesso.

Gilberto Gil se despediu do palco, onde já tocou oito vezes, recebendo um chocolate gigantesco das mãos do Claude Nobs, organizador e fundador legendário do Festival de Jazz de Montreux.