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Alexander Thoele
Martinho da Vila
e Maria Rita
Se sábado (8 de julho) foi
marcado pelos ritmos baianos, sexta-feira (7 de julho) foi dedicada
ao samba e a música intimista. Ela foi tocada por instrumentos
acústicos e até mesmo deixando de lado a percussão.
Esse foi o estilo escolhido pelo primeiro músico a se apresentar
no dia, Ney Matogrosso. Acompanhado por apenas quatro artistas
do violão - Ricardo Silveira, Marcello Gonçalves,
Pedro Jóia e Zé Paulo Becker – ele se despediu
das extravagâncias de roupas e trejeitos, para centralizar
sua arte apenas no canto.
O repertório especial trouxe canções conhecidas
como "Viajante", "Tanto Amar" ou "Rosa
de Hiroshima", sempre embaladas nos novos arranjos feitos
pelos violonistas.
O terreno já estava preparado quando entrou a cantora Maria
Rita e banda no palco. Já a imprensa se perguntava se os
suíços teriam em Montreux uma música independente
dos passos da família famosa. Descalça, ela dançou
e cantou durante cinqüenta minutos. Vinte sete anos antes,
sua mãe, Elis Regina, cantava exatamente no mesmo espaço.
Porém Maria Rita não esconde que tem uma voz parecida,
mas segue por novos caminhos musicais. Em "A Festa",
uma canção de Milton Nascimento" adaptada sobre
a canção "La Bamba", ela solta a voz sob
um ritmo latino. Já no "Lavadeira do Rio", uma
composição de Lenine, ela deu uma performance que
convence a todos que o abandono da carreira de jornalista pelo
de música não foi um erro. Com ela a MPB ganhou
mais uma bela voz feminina.
A noite terminou com um veterano sambista, um legítimo
carioca, Martinho da Vila. Acompanhado por vários músicos
e que incluíam até mesmo a própria filha,
ele desfilou o repertório do "Brasilatinidade",
seu último CD. Nesse trabalho, Martinho da Vila traz sambas
e ritmos de países com língua originária
do latim, como o fado português e a salsa espanhola.
"Feitiço da Vila" e "Suco de Maracujá"
foram cantadas bem devagarinho e ritmado, no famoso estilo malandro
de Martinho da Vila. De chinelos, ele estava bem à vontade
no palco. Quando estava cansado, sentava num banquinho como se
estivesse num botequim. Esses momentos eram tomados por outros
músicos convidados, como a veterana Leci Brandão,
a sambista com mais de trinta anos de carreira e que foi criada
no berço dos grandes sambistas cariocas, a Mangueira.
"Devagar, Devagarinho" e "Canta, canta, minha gente",
hinos à alegria, levantaram a moral de muitos brasileiros
presentes, que pareciam querer esquecer a derrota trágica
da seleção canarinho.
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