|
Entrevista - Ney canta ao som de violões
Diário da Manhã
Cantor fala sobre Cazuza, grupo Secos & Molhados e o show que apresenta hoje em Goiânia
Ney Matogrosso canta em Goiânia hoje. Na véspera, faz show em Brasília. O cantor ainda trabalha o CD e DVD Canto em qualquer canto, de 2005. O espetáculo que será apresentado no Teatro Rio Vermelho leva o nome do disco e tem participação de quatro violonistas da pesada, escolhidos a dedo pelo artista.
No show de hoje, criado em 2005, para um canal de televisão fechada, e que acabou virando disco, Ney vai cantar 20 músicas, num apanhado de sua carreira. Algumas composições que nunca havia cantado acabaram entrando no set list, caso, por exemplo, de Ela e Eu, de Caetano Veloso, e a música que dá nome ao show, de Itamar Assumpção e Ná Ozzetti.
Ney falou por telefone com a reportagem do Diário da Manhã, na tarde do dia 8 de maio. Não se esquivou de temas polêmicos como a não citação de sua relação com Cazuza, no filme feito para contar a história do ex-vocalista do Barão Vermelho. Contou que está preparando disco novo, com canções de novos compositores, além de Caetano Veloso, Itamar Assumpção e uma inédita de Cazuza. Abaixo a entrevista.
Diário da Manhã – Como surgiu a idéia do Canto em qualquer canto?
Ney Matogrosso – Surgiu de um convite para fazer um especial de final de ano para o Canal Brasil, em 2005. Me chamaram e disseram que eu poderia cantar o repertório que quisesse, mas pediram para convidar um violonista. Eu perguntei: mas vocês não querem em vez de um, quatro violões? Toparam, fiz uma revisão do meu repertório e preparei as canções. Eu nunca tinha feito antes, revisar com violões, um repertório gravado todo ele com banda. Achei interessante fazer isso.
DM – O lado cênico sempre foi o forte dos seus shows. Os mais de 60 anos não interferiram nessa vitalidade?
Ney – A vitalidade continua. Não sei explicar o que é isso. É claro que me preparo fisicamente, mas não é esse preparo que me dá a vitalidade. Ele é só um reforço. Não explico essa força no palco.
DM – Você está acompanhado das feras Ricardo Silveira (violão e guitarra), Marcello Gonçalves (violão de 7 cordas), Zé Paulo Becker (violão e viola caipira) e Pedro Jóia (violão e alaúde). Como chegou nessa formação?
Ney – Já toquei com todos eles antes. O único que não tinha tocado era o Zé Paulo, que me foi indicado pelos outros três. Gosto muito de violão. Peguei o repertório feito para o Canal Brasil, de 13 músicas, chamei os quatro músicos e disse: cada um escolha o que quer arranjar. Eles preferiram que cada um pegasse três a quatro músicas e fizeram os arranjos. Para o show, acrescentamos mais sete músicas, ficando em 20. É um show legal porque tem arranjos de quatro arranjadores diferentes.
DM – O que o público de Goiânia vai ouvir no show? Que canções?
Ney – Vou falar de algumas que canto de novo, músicas que já gravei: Tanto amar (Chico Buarque), Fala (João Ricardo e Luli), Rosa de Hiroshima (Gerson Conrad e Vinícius de Moraes), Amendoim torradinho (Henrique Beltrão) e Último desejo (Noel Rosa e Vadico). Acrescentei inéditas, que eu não tinha em meu repertório, caso de Canto em qualquer canto (Itamar Assumpção/Ná Ozzetti) e Ela e eu (Caetano Veloso). São músicas que eu sempre quis cantar e nunca tinha cantado.
DM – Esse show já tem mais de dois anos. Você está preparando novo disco e espetáculo?
Ney – Estou preparando um novo show e disco para o segundo semestre. Será um trabalho de muitas inéditas, mesclado com algumas coisas minhas que gravei há tempos e nunca mais cantei, como é o caso de Mal Necessário (Cazuza). Terá músicas de compositores inéditos, duas canções do Caetano Veloso, três do Itamar Assumpção e três do Cazuza, sendo uma inédita.
DM – Falando em Cazuza, as pessoas perguntam cadê o Ney no filme Cazuza? Cadê o Ney?
Ney – Não tenho nada a falar sobre isso. Já disse que dei entrevista para o roteirista. Conversamos três a quatro horas, mas nada foi usado no filme, nada saiu.
DM – Você sempre grava canções que já foram gravadas de maneira magistral por outros artistas. É o caso de Oriente, que Gil gravou belamente. O Ney cantor não tem medo de comparações?
Ney – Não tenho medo porque cada um tem o que oferecer, tem um ponto de vista, alguma coisa sobre aquilo. Uma pessoa, quando grava uma música, não oferece todas as possibilidades. Sempre haverá outras leituras. É isso que ofereço.
DM – Existe uma discussão se a banda Kiss copiou ou não Secos & Molhados. Você disse numa entrevista que sim. Houve realmente essa imitação? Como se pode constatar isso?
Ney – Na verdade, foram produtores dos Estados Unidos que me procuraram no México. Na época tinha saído uma matéria numa publicação americana com o Secos & Molhados. Esses produtores queriam que eu saísse do grupo. Diziam que Secos & Molhados era uma banda boa, mas o som tinha que ser mais pesado. Falei que não tinha nenhuma pretensão de sair do grupo nem do Brasil. Ficou por isso. Mas até aquela língua que o grupo Kiss usava era copiada da que eu fazia quando cantava a música O Vira. Era para eu, se topasse, integrar uma banda pesada, lá.
|