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imprensa

12/07/2006

Jornal de Noticias
Judite França, com Marta Sofia Ferreira

Mais novo do que nunca no palco do Coliseu

O modo sexy como, com 65 anos, rebola pelo palco, acompanhando o ritmo da música que sai de um quarteto de cordas, não deixa ninguém imune.
O álbum saiu o ano passado. O ritmo flamenco que transpira chegou agora aos palcos portugueses. Cheio de orgulho, de som, de paixão, Ney Matogrosso surgiu brilhante como sempre. «Canto em qualquer canto» encantou o Coliseu, na noite de terça-feira. Lotação esgotada para ouvir sucessos de carreira como «Bandolero», «Amendoim Torradinho», «Retrato Marron», «Bamboleo», «Rosa de Hiroshima».

No disco é possível ouvir ao vivo um momento de extraordinária sintonia com a parceria de Ná Ozzetti e Itama Assumpção. No palco, Ney Matogrosso ouviu de tudo. Sempre sem responder, o brasileiro recebeu propostas de casamento e piropos. O modo sexy como Ney, com 65 anos, rebola pelo palco, acompanhando o ritmo da música que sai de um quarteto de cordas, não deixa ninguém imune.

Uma expressão corporal inigualável, sensualidade que transpira por todos os poros e uma voz poderosa que não deixam adivinhar a passagem dos anos, apenas denunciada pelo cinzento que pinta os cabelos que ainda tem.

Ele é um mágico em palco: exagera todos os gestos, como mostrando que não tem nada escondido na manga. Mas tem: os músicos que preenchem o resto do palco, apenas com uma tela simples em pano de fundo, são meio caminho para um concerto de excepção, apesar de uma maior sobriedade do que, por exemplo, o espectáculo da Expo 98, em que o brasileiro cheio de pulseiras e colares despiu as calças.

Agora, de preto, Ney Matogrosso revela que nada na sua carreira foi por acaso: despido do folclore colorido e da percussão, ladeado por Pedro Jóia, o brasileiro prova que a sua voz é a mesma de sempre. A amplitude vocal, a forma como se molda ao tema, ao tom, às necessidades da pauta.