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imprensa

12/07/2006
Davide Pinheiro

Jornal Digital

Ney Matogrosso no Coliseu : Quatro guitarras e um chacal

Ney Matogrosso está mais vivo do que nunca. No espectáculo que montou para quatro guitarras, mostra-se mais uma vez um bailarino exímio acompanhado por arranjos algures entre o flamenco, o tango e o chorinho.

Ney Sousa Pereira nasceu no primeiro dia de Agosto de 1941. Prestes a completar 65 anos, ou seja, às portas de atingir a antiga terceira idade portuguesa, está certamente mais em forma do que alguns veteranos da selecção brasileira como Cafú ou Roberto Carlos.

Sem álbum novo em carteira, Ney opta por uma selecção natural das canções sem deixar de correr riscos. Alguns dos êxitos da sua já longa carreira são intercaladas com inéditos como «Bambolêo», de André Filho, «Oriente», de Gilberto Gil ou «Já te Falei», dos Tribalistas.

O acompanhamento de quatro guitarristas, entre os quais Pedro Jóia, colaborador recente do brasileiro, é perfeito. A técnica irrepreensível ajuda os arranjos sejam de um bom gosto inquestionável, os quais abrem espaço para Ney Matogrosso se mostrar um autêntico Joaquin Cortes.

A enésima passagem de Ney Matogrosso pelo Coliseu dos Recreios é alvo de lotação esgotada, que o recebe em apoteose. Impressionante a capacidade de reinvenção de um músico sem medo de arriscar e que percebeu que só assim não cansaria quem o ouve.