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imprensa

10/07/2006

Páteo das Escolas

Ney Matogrosso

Música do futuro, coerente e sem samba! Ney Matogrosso está em grande forma! Foi um concerto excelente e uma delícia para quem gosta de guitarras. Apenas quatro músicos acompanharam o cantor brasileiro e todos com cordas em vez de sangue. Tal e qual Power-Rangers, cada um com o seu poder especial, deram ao espectáculo um brilho impressionante! Ricardo Silveira: guitarra eléctrica; Marcello Gonçalves: viola de sete cordas; Zé Paulo Becker: viola e violão e o cada vez melhor Pedro Jóia: viola e alaúde. O alinhamento do concerto seguiu de perto o último trabalho "Canto Em Qualquer Canto", mas houve momentos que o transcenderam com uma força impressionante. O primeiro momento arrepiante foi com "Dos Cruces", que deixou a versão gravada a milhas e assumiu uma altura fantástica, não me perguntem porquê, há coisas que não se explicam - presenciam-se. Outro momento genial foi o longo instrumental em "Oriente", com todos os guitarristas a colaborarem na viagem. "Bandoleiro", naturalmente mágico, ainda mais com esta nova versão, é de facto uma grande música. Todos os temas foram escolhidas a dedo e os arranjos para as guitarras são elaborados é certo, mas nunca perdem a objectividade que faz com que em cada canção se levante poesia e transpire a redenção. Para o encore ficou a belíssima "Rosa de Hiroshima", disparada do futuro e seriamente comovente. A perspicácia de Ney Matogrosso em palco, aliada ao flamenco inteligente das guitarras e os poemas lindíssimos na língua que me acorda e volta a adormecer... Diria que hoje à noite, algures na galáxia onde o tempo é um sorriso, vi nascer uma estrela - não fosse ela já tão brilhante!