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In Jornal Publico

Ney matogrosso no melhor dos cantos

Começou por ser um espectáculo para televisão mas depois correu Brasil e (algum) mundo. "Canto em Qualquer Canto", encomenda do Canal Brasil para a passagem de ano de 2004 para 2005, foi aceite por Ney Matogrosso como um desafio: juntar quatro violonistas e guitarristas (Ricardo Silveira, da área mais pop-rock, Marcelo Gonçalves e Zé Paulo Becker, mais chegados ao choro e ao samba, e Pedro Jóia, com as suas influências do flamenco aliadas a matrizes portuguesas) e rever o seu reportório à luz dessa nova alquimia instrumental. O resultado deu origem a um CD e um DVD, de igual alinhamento, lançados em 2005. Depois dessa primeira noite única que ficou gravada, já muito mudou, diz o cantor numa passagem por Lisboa a caminho do festival de Montreux, dias antes dos espectáculos em Portugal: "Além das canções, mudou o figurino, a luz (mais pensada) e a minha maneira de estar no palco. Da primeira vez não sabia nem como agir. Não tive ensaio, a não ser musical. Ensaiámos as músicas mas não o show." O espartilho televisivo morreu na estreia: "Libertei-me totalmente, acrescentei canções, fui-me colocando dentro do espectáculo."

"Esta foi a primeira vez que me virei para o meu reportório. Por norma não faço isso. Gravo um disco, faço o show e no próximo tudo isso passou." Mas agora achou que valia a pena tentar. "Não é uma revisão porque não é profunda: peguei algumas coisas de que mais gostava, algumas que não tocaram, outras que tocaram." Mas todas as canções tiveram novos arranjos, devido à formação escolhida. "Foi por ser com quatro violões que me virei para o meu reportório. Queria ver de que maneira resultava. A minha interpretação também muda, por isso, e já mudou mais do que está na gravação porque estou mais seguro agora [o espectáculo já teve mais de 80 apresentações]. O reportório é pop mas tem um sentimento forte, que me deixa exausto."

No alinhamento original, que é o que consta do CD e do DVD, das catorze canções apresentadas apenas cinco não tinham sido gravadas anteriormente por Ney: a que abre o espectáculo e lhe dá título, "Canto em qualquer canto", escrita por Ná Ozetti e Itamar Assumpção; duas composições dos portugueses Tiago Torres da Silva e Pedro Jóia ("Uma canção por acaso", "Duas nuvens"), "Oriente", de Gilberto Gil; e "Já te falei", escrita pela trupe tribalista (Arnaldo, Marisa e Brown, mais Dadi Carvalho) e gravada por Rite Lee no seu mais recente "Balacobaco". De resto, há releituras de temas de várias épocas, desde os primordiais Secos & Molhados ("O doce e o amargo") até temas da sua discografia individual dos anos 70 ("Ardente", "Dos cruces", "Retrato marron", "Bandoleiro", esta numa versão magnífica), 80 ("Tanto Amar", de Chico Buarque) e 90 ("Amendoim torradinho", também numa versão excelente, e "Lábios de mel"). Mas o espectáculo cresceu e Ney juntou-lhe agora outras canções, embora mantenha "Canto em qualquer canto" logo a abrir: "É a minha carta de intenções: "Vim cantar sobre essa terra/ antes de mais nada, aviso/ trago faca, paixão crua/ e bons rocks no arquivo". Assim já estou dizendo quem eu sou." Das canções que acrescentou, a primeira é "Último desejo", de Noel Rosa: "É uma música muito conhecida e eu estou descobrindo uma interpretação muito provocadora para ela. Eu coloco toda a intenção, que é sexual, de forma explícita, e faço um gesto que nunca tinha feito, que muita gente estranha, mas que resulta muito bem."

No alinhamento original, que é o que consta do CD e do DVD, das catorze canções apresentadas apenas cinco não tinham sido gravadas anteriormente por Ney: a que abre o espectáculo e lhe dá título, "Canto em qualquer canto", escrita por Ná Ozetti e Itamar Assumpção; duas composições dos portugueses Tiago Torres da Silva e Pedro Jóia ("Uma canção por acaso", "Duas nuvens"), "Oriente", de Gilberto Gil; e "Já te falei", escrita pela trupe tribalista (Arnaldo, Marisa e Brown, mais Dadi Carvalho) e gravada por Rite Lee no seu mais recente "Balacobaco". De resto, há releituras de temas de várias épocas, desde os primordiais Secos & Molhados ("O doce e o amargo") até temas da sua discografia individual dos anos 70 ("Ardente", "Dos cruces", "Retrato marron", "Bandoleiro", esta numa versão magnífica), 80 ("Tanto Amar", de Chico Buarque) e 90 ("Amendoim torradinho", também numa versão excelente, e "Lábios de mel"). Mas o espectáculo cresceu e Ney juntou-lhe agora outras canções, embora mantenha "Canto em qualquer canto" logo a abrir: "É a minha carta de intenções: "Vim cantar sobre essa terra/ antes de mais nada, aviso/ trago faca, paixão crua/ e bons rocks no arquivo". Assim já estou dizendo quem eu sou." Das canções que acrescentou, a primeira é "Último desejo", de Noel Rosa: "É uma música muito conhecida e eu estou descobrindo uma interpretação muito provocadora para ela. Eu coloco toda a intenção, que é sexual, de forma explícita, e faço um gesto que nunca tinha feito, que muita gente estranha, mas que resulta muito bem."

As outras canções novas são "Ela e eu", de Caetano Veloso, e, guardadas para o encore, "Poema", de Cazuza, a emblemática "Rosa de Hiroshima" ("mais actual que nunca - diz Ney - porque agora não sabemos em que mãos estão as bombas") e, por fim, "Fala", do disco de estreia dos Secos & Molhados, a que Ney Matogrosso pertenceu nos anos 70: "É interessante acabar o show devolvendo a palavra à plateia: fala."

Em 2007 haverá novo disco de Ney. Já tem o reportório pronto e integra uma canção do uruguaio Jorge Drexler, "Sea". O título será "provocante": "Um pouco de calor".