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O incansável camaleão da MPB
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Shows do disco em que relê a obra de Cartola, projeto para homenagear Cazuza e preparação para comemorar os 30 anos de carreira, em 2003. Cansou? Ney Matogrosso, não. Aos 61 anos, o Camaleão da MPB conhece talvez seu momento mais criativo. De contrato renovado com a Universal, o cantor está lançando o belo CD Ney Matogrosso Interpreta Cartola enquanto escolhe os responsáveis por musicar letras inéditas do eterno Exagerado, em disco a ser lançado em 2003. “Meu contrato com a Universal prevê dois discos, mas eu não tenho só dois projetos. Não é meu estilo ficar parado esperando que alguma gravadora me socorra”, diz Ney, que começou a gravar o novo trabalho antes de assinar o contrato, enquanto ainda divulgava o disco anterior, Batuque, lançado em 2001 e cuja turnê foi até setembro de 2002. Ney Matogrosso Interpeta Cartola mostra o artista relendo 12 músicas do sambista mangueirense, mesclando sucessos como O Mundo É Um Moinho e As Rosas Não Falam – ambas já gravadas anteriormente por ele – a preciosidades como Senões e Desfigurado. O disco que chega às lojas na verdade seria um complemento de um livro com fotos da carreira de Ney. A intenção era que o show fosse realizado antes de uma sessão de autógrafos. Como o livro não ficou pronto no prazo estabelecido, o CD e o show acabaram, como diz o artista, “ganhando vida própria”. “Sugeriram relançar O Cair Da Tarde (de 1997) junto com o livro, mas decidi fazer um disco inédito. Queria alguma coisa à altura do livro. Aí Cartola entrou e me ocupou. Ele é de um requinte e uma sofisticação comparáveis a Chico Buarque”, conta Ney, que escolheu pessoalmente os músicos e o repertório do CD. “Queria dar mais ênfase à melodia, à letra do Cartola. Não queria aquele som mais pesado de samba. Lá fora o disco será considerado jazzístico”, afirma.
Projetos, projetos...
Ney Matogrosso se diz surpreso com a boa receptividade do público ao novo trabalho. Assim como em Batuque, disco em que releu sambas, choros e modinhas do início do século XX, o cantor vem lotando casas de espetáculos de todo o país, conquistando inclusive o público jovem. “As pessoas querem música boa”, explica. O cantor teve que ampliar o repertório do show, após ouvir reclamações de que as apresentações estavam muito curtas. Foram incluídas, então, Preciso Me Encontrar (de Candeia, mas cantada por Cartola), Autonomia, Amor Proibido, Basta de Clamares Inocência e Não Quero Mais Amar A Ninguém.
Após dois CDs com sonoridade acústica, Ney Matogrosso promete retomar a eletricidade em 2003, quando lançará um disco em homenagem a Cazuza. No show já está garantida a volta de sucessos como Pro Dia Nascer Feliz e Não Existe Pecado ao Sul do Equador, além de músicas dos dois discos lançados pelo grupo Secos & Molhados, que estará completando 30 anos. Ney diz estar sentindo falta de sua face pop. “Gosto do que estou fazendo, é um desafio ficar ali parado, numa única luz. Para falar a verdade, fico mais inseguro fazendo shows acústicos, pois exigem muito mais de mim. Da outra forma eu posso até errar, e agora não.”
Se não bastassem projetos, Ney Matogrosso pensa em lançar um DVD com o show de Batuque, ao mesmo tempo em que se dedica à campanha de combate à hanseníase. Mas é bom parar por aqui, porque se depender da disposição e da inventividade do camaleão, essa troca de cores não caberá neste site...
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