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imprensa

Curitiba, 05/04/2003

Gazeta do Povo

Ney Matogrosso interpreta Cartola em única apresentação em Curitiba

Ney Matogrosso tem se dedicado, nos últimos anos, a pesquisar a obra de vários compositores brasileiros. Seja Chico Buarque, Herivelto Martins ou o sambista carioca Cartola, que motivou seu disco mais recente, Ney Matogrosso Interpreta Cartola, para Ney, tudo faz parte de um grande exercício de interpretação. "Comecei no pop e hoje estou no Cartola. Eu vou e venho. Isso para mim são exercícios. O fato de eu estar fazendo Cartola é um exercício muito valioso, que me coloca em um patamar de exigência em que poucas vezes me senti", disse o cantor em entrevista pelo telefone a Gazeta do Povo na última terça-feira, quando estava em Pelotas (RS). Ele faz apresentação única de seu show neste sábado, no Guairão, às 21 horas.

Seguindo sua dedicação à obra dos compositores brasileiros, Ney pretendia lançar, em breve, um disco com canções inéditas de Cazuza, musicadas por nomes da música brasileira como Lobão, Angela Ro Ro e George Israel. O projeto, no entanto, ficou paralisado a partir do momento em que recebeu um convite para gravar um disco com Pedro Luís e a Parede. "Fiquei muito excitado com a proposta. Já estou ouvindo o repertório inédito de músicas para fazermos juntos", conta. De acordo com o cantor, por enquanto o trabalho prevê apenas a gravação de um disco, sem turnê.

Com respeito a Cartola, apesar do disco dedicado inteiramente à obra do compositor de "As Rosas Não Falam", o mangueirense não é novidade no repertório de Ney: "Já tinha gravado anteriormente, em dois outros trabalhos. Mas quando o livro (Ousar Ser, de Bené Fonteles, com fotos e depoimentos sobre a carreira de Ney) estava sendo feito, pediram que eu pusesse música. Achei o livro tão bonito que quis fazer um disco tão bom quanto ele", conta.

O resultado é um disco esmerado, que, segundo Ney, está fazendo um sucesso "surpreendente". "Tinha a falsa impressão de que o Cartola estava esquecido, mas ele não está. Cartola está esquecido só oficialmente, mas faz parte da memória do povo brasileiro", afirma o intérprete, que tem rodado o Brasil e apresentado seu show nos mais diferentes rincões do país.

Mas esse sucesso acaba lhe custando caro. Segundo Ney, ele termina o show com "dor no peito". "É uma interpretação arrebatada", conta. Esse mesmo sacrifício, entretanto, é recompensado pela interpretação de algumas canções sobre as quais Ney demonstra o grande carinho, como "Senões", "Peito Vazio" e "Basta Clamares Inocência". A partir delas, inclusive, é que Ney reserva uma espécie de "bis diferente" ao público que for conferi-lo: "Se me pedem mais, digo que não tenho nada mais ensaiado e dou essas três opções. E é interessante porque faço uma outra interpretação sobre elas", revela.

Redescobrimento:

A respeito de sua trajetória ter variado do pop ao samba de raiz, Ney diz que não se importa em servir de "utilidade pública" para jovens que estejam conhecendo o seu trabalho a partir da banda Secos e Molhados, que tem sido redescoberta recentemente por fãs da música alternativa. "Se eu puder ajudar dessa maneira, como um meio de ‘utilidade pública’, fico muito feliz. Não acho nada demais em servir a isso. Afinal, a causa é a música brasileira, que é uma causa nobilíssima e da qual temos muito que nos orgulhar", atesta.