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imprensa

Porto, 26/06/2003

Diário de Notícias
Joana de Belém

Ney Matogrosso volta ao Porto com Cartola

Animal de palco convicto e com provas dadas e já mais que confirmadas, Ney de Sousa Pereira, que adoptou o cognome de Matogrosso em homenagem à zona onde nasceu, Mato Grosso do Sul, Brasil, aterra hoje,pelas 22.00, nos jardins do Pavilhão Rosa Mota, no Porto, para actuar nas 'Noites do Palácio'.Ney Matogrosso, que já este ano apresentou no Porto o seu trabalho de homenagem a Cartola (Angenor de Oliveira), compositor brasileiro no domínio do samba cuja obra tratou de resgatar em Ney Matogrosso Interpreta Cartola, volta agora à Invicta com esses mesmos temas debaixo do braço. Um trabalho que já vem na senda de outros, também eles ponto de homenagem a intérpretes tão emblemáticos como Chico Buarque (Um Brasileiro) e Carmen Miranda (Batuque).


Do alto dos seus 62 anos, Ney Matogrosso pode vangloriar-se de manter a energia e o hibridismo que caracterizam as suas actuações desde os anos 70, época em que se deu a conhecer como vocalista da banda Secos & Molhados. Ney é sobejamente conhecido pela falta de sobriedade dos seus concertos, onde o guarda-roupa e as poses levadas ao extremo se tornaram na sua imagem de marca. São, no entanto, esses mesmos excessos que que o tornam um intérprete único e até mesmo inigualável, um dos nomes cimeiros da música popular brasileira.


Em Cartola, que os portuenses vão poder conhecer ou reconhecer no concerto de hoje à noite, a sua intenção foi resgatar do esquecimento a obra de um homem de «espírito simples, mas cheio de requinte. Incrível como alguém que teve a vida iletrada que Cartola levou conseguiu criar versos comparáveis aos de Chico Buarque», disse Ney Matogrosso em entrevista ao jornal digital cliquemusic.com.br.A apropriação consentida de temas de compositores brasileiros não se fica por aqui. Ney prepara-se para viajar até músicas inéditas do compositor e cantor Cazuza, falecido nos anos 90.


As 'Noites do Palácio ' acolhem amanhã, à mesma hora, um concerto dos Zap Mama, que identificam a sua música como «étnica urbana vinda de Bruxelas», Uma eclética mistura de estilos que, segundo os próprios, vagueia entre o soul, o gospel, canções pigmeias e ritmos afro-cubanos, resultado da reunião, em 1990, de um conjunto de «amigos ligeiramente excêntricos» à volta da cantora Marie Daulne.