home
 
   
   
imprensa

05/04/2004

Jornal O Globo

Ney Matogrosso une forças com Pedro Luís e a Parede em 'Vagabundo'

Ney Matogrosso não perde o rebolado. Depois de uma temporada contida cantando Cartola de careta, ele volta a pisar no terreno que gosta. Uma afinidade que nasceu das canjas que dava nos shows de Pedro Luís e a Parede desembocou no agitado CD "Vagabundo" (Universal), com desdobramento em dois DVDs, um da etapa de ensaios e gravações que sai a qualquer momento e um mais para a frente, ao vivo.
- Quando eu estava procurando músicas para o "Olhos de farol", o Ronaldo Bastos me perguntou se eu conhecia o Pedro Luís. Eu disse que não e ele me levou para assistir a um show. Quando ouvi, disse ao Ronaldo que só dali gravaria muita coisa, daí gravei duas, "Miséria no Japão" e "Fazê o que?" - conta Ney Matogrosso no estúdio de ensaios para a temporada que começa dia 7 de abril em Juiz de Fora, com estréia no Rio dia 15 de abril e em São Paulo no final de maio.

Pedro Luiz fala da aproximação do lado dele.

- O Ney foi padrinho da gente na série Novo Canto . Como a gente freqüenta o circuito paralelo, sempre buscou pessoas que tivessem afinidade com nosso trabalho. O Ney sempre fez esta função, de ser um cara que estava no mercado e tinha onda com nosso trabalho.

As canjas acabaram por uni-los a vera no projeto MPBR do ano passado.

- Foi justamente no MPBR que essa idéia se efetivou, a gente chamou o Ricardo Silveira para ajudar a ampliar o repertório e começou a casar essa coisa de o Ney cantar as músicas dele nesse formato.

Show promete ser um dos melhores do ano

O formato é a parede percussiva do grupo de Pedro Luís, que Ney compara a uma máquina, afirmando que os três tocam como um. C.A.Ferrari (zabumba, prato e surdo), Celso Alvim (caixa, prato e repique) e Sidon Silva (percussões diversas) gravaram as percussões do disco todos juntos, preferindo ter mais trabalho até fazer um take ideal do que apelar para a edição.

Pedro Luís conta que deu uma tremida diante da perspectiva de gravar ao lado de uma voz que é uma referência na MPB há 30 anos, mas a espontaneidade se impôs.

- Não tem essa, foi só sair cantando. Em algumas eu tinha uma insegurança e ele saía cantando, nada foi pré-determinado - conta Ney, que confessa ter tido uns insights do Secos e Molhados ao estar novamente trabalhando em grupo e ainda que teve uma "imensa dificuldade" em refazer algumas coisas sozinho porque estava acostumado a "vir junto".

O show ainda estava sendo gestado no dia da entrevista, quarta passada, mas Ney adiantou que o palco foi dividido ao meio, com ele e Pedro Luis nas pontas, juntando-se sempre no meio e uma luz que está sendo criada por Juarez Farinon, que trabalha com Ney há muitos anos. A movimentação vai ser intensa porque é uma característica tanto de Ney quanto da Parede, mas ambos dizem que as coreografias nascem de improviso e depois viram marcações de cena.

- A gente primeiro aprende a música e depois vê onde é que dá para se movimentar e vai criando - diz Pedro, e Ney emenda que também trabalha assim.

Pelas características de cada um, rendendo mais no palco que no estúdio, vem aí um show que certamente será dos melhores do ano. Aguardemos.