| 16/04/2004
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Ney Matogrosso e Pedro Luís lançam
"Vagabundo"
Saiba como foi a estréia da dupla nos palcos
Apesar da presença de celebridades, convidados e da imprensa,
havia muitos lugares vagos nesta última quinta-feira no
Canecão, no Rio de Janeiro, para prestigiar a estréia
do show “Vagabundo”, que selava a parceria entre Ney
Matogrosso e Pedro Luís e a Parede. “Um encontro
natural”, segundo Lenine, que compareceu na platéia,
justificando que “Ney sempre ousou nos seus projetos. Dessa
vez, resolveu dividir o palco com um representante da música
jovem carioca”.
Ney Matogrosso entrou no palco rodeado pelos elementos percussivos
da Parede, composta por Celso Alvin, Mário Moura, C.A.
Ferrari e Sidon Silva. Dominou as atenções com sua
interpretação teatral e intensa de “Notícias
do Brasil”, de Milton Nascimento. Pedro Luís acompanhava
ao violão e lançou os primeiros acordes de “A
Ordem é Samba”, de Jackson do Pandeiro, para, em
seguida, dividir os vocais.
Duas composições do líder da Parede, “Fazê
o quê” e “Seres Tupy”, deram seqüência
ao repertório. Numa linguagem coloquial, Pedro faz críticas
sociais em versos como “De Porto Alegre ao Acre / A miséria
só muda o sotaque”. Sua interpretação
despojada e leve encaixa no tom das canções e termina
com um surpreendente toque de berimbau saído do baixo de
Mário Moura.
Em apenas dois momentos, o dueto ficou desfalcado. Após
a apresentação de “Interesse”, “Soul”,
“Assim Assado” e “Noite Severina”, presentes
no disco, Ney Matogrosso assumiu de novo as atenções.
Começou “à capela” a densa interpretação
de “Balada do Louco”, de Rita Lee e Arnaldo Baptista,
acompanhada em coro pela platéia, que o aplaudiu intensamente.
Houve até quem não se conteve e berrou “Gostoso!”,
levando Pedro Luís a brincar: “Estão te chamando
lá”.
O segundo momento veio depois da faixa título, homônima
ao disco, e do arranjo marcado pela zabumba de C.A. Ferrari para
o samba “Disritmia”, de Martinho da Vila. Pedro Luís
contagiou todo o Canecão com “Caio no Suingue”,
protagonizando o ponto alto da noite. Ao fundo, Ney desviava a
luz dos holofotes – talvez metaforicamente – com um
grande espelho.
A dessacralização do maior mito da cultura ocidental
é o tema de “Jesus”, que encerrou o show, com
versos como “Vamos tirar Jesus da cruz”, de Pedro
Luís e diversos parceiros. No bis, “O Mundo”,
de André Abujamra, “Sangue Latino”, de João
Ricardo e Paulinho Mendonça, e “Fé Cega, Faca
Amolada”, de Milton Nascimento, evidenciaram a fusão
de diferentes influências musicais. Pena que pouca gente
esteve lá para prestigiar.
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