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imprensa

18/06/2004

Jornal Zero Hora
Luis Bissigo

Vagabundo Faz Dançar
Ney Matogrosso, Pedro Luis e a Parede tocam no Salão de Atos na PUC-RS.

O Ney Matogrosso e Pedro Luís e A Parede trazem novamente a Porto Alegre o show Vagabundo, com sessões amanhã e domingo, no Salão de Atos da PUCRS. O espetáculo é promovido por Zero Hora em comemoração a seu 40º aniversário.
Vagabundo, antes de soar depreciativo, é um título que reflete a descontração e o frescor da reunião de um dos cantores consagrados da MPB a um dos grupos mais criativos do mercado independente.
Apresentados há cinco anos, o matogrossense Ney e os cariocas Pedro Luís e A Parede (PLAP) logo descobriram afinidades sonoras, apoiadas na liberdade de estilos e gêneros musicais. O encontro resultou no CD Vagabundo, lançado em abril, e no espetáculo que volta amanhã a Porto Alegre.Juntos, intérprete e banda fazem um show tão cativante quanto difícil de rotular. Na primeira passagem pela Capital, em maio, o comboio por pouco não transformou o Theatro São Pedro em pista de dança. A oferta inclui desde o afro-heavy metal Seres Tupy à salsa A Ordem É Samba, passando pelo bom humor de Napoleão e pela memória da banda com a qual Ney ficou famoso nos anos 70, o Secos & Molhados, em novas leituras para Sangue Latino e Assim Assado.

– Eu pedi que eles (PLAP) me dessem a versão deles,a sonoridade deles – explica Ney, por telefone.
Musicalmente, as principais marcas são as percussões da Parede, a cargo de C. A. Ferrari, Sidon Silva e
Celso Alvim, e o violão virtuoso do convidado Pedro Jóia. Do lado de Ney, a volta ao trabalho coletivo representa mais do que um revival do clima do Secos & Molhados, mas um alívio do papel de estrela principal do espetáculo – na canção Caio no Suingue, com voz de Pedro Luís, Ney nem canta, mas vai para o fundo do palco brincar com a iluminação.

– Sinto mais liberdade para curtir, não tem a responsabilidade de ter tudo centralizado – reflete o cantor.Vagabundo ainda vai dar trabalho: a agenda de shows está fechada até outubro, e dois DVDs deverão
ser lançados, um com ensaios e gravações, outro com a íntegra do espetáculo. O otimismo só sai da voz de Ney em um tema delicado: o rompimento do Secos & Molhados, que deverá virar livro pelas mãos de outro
ex-integrante, Gerson Conrad.– São dois assuntos sobre os quais já falei o que tinha de falar: Secos & Molhados e Cazuza – diz Ney, aludindo ao filme Cazuza – O Tempo Não Pára, em que não é citado em