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Batuque é um alegre passeio de Ney Matogrosso por um dos mais criativos períodos da música brasileira: as décadas de 30 e 40. Num momento em que as rádios do país não cansam de abrir espaço para o que o cantor define como "malícia pesada", "Batuque" celebra o balanço contagiante e a ingenuidade matreira de sambas, choros e marchinhas que definiram uma época de ouro da MPB. "Eu conhecia essas canções sem saber porque as ouvia desde criança. Mas não faço um espetáculo de época de resgate, porque essas músicas não se perderam. Estão à disposição de quem as quiser cantar e gravar", Ney explicou em uma entrevista para o jornal "O Estado de S.Paulo".
Com a ajuda de quatro pesquisadores (Jairo Severiano, Zuza Homem de Melo, Paulinho Albuquerque e Fausto Nilo), Ney definiu o repertório desta viagem musical no tempo. As músicas do espetáculo incluem as faixas que constam do disco, reproduzingo os mesmos empolgantes arranjos acústicos, e algumas outras, como "Batuque na Cozinha" e "Barco Negro".
Ney promove no palco e na platéia uma festa dançante que oscila entre a vibração de uma roda de samba e o entusiasmo de uma gafieira, com músicas como "O Que É Que a Baiana Tem?", "Tico-Tico no Fubá" e "E o Mundo Não se Acabou", que foram sucesso na voz de Carmen Miranda. Apesar de seis das músicas terem sido gravadas pela Pequena Notável, Ney revela que não se trata de uma celebração à carreira da cantora, como contou à "Folha de S.Paulo": "Não estou prestando uma homenagem a Carmen, não quis me limitar a ela. Mas o melhor daquelas décadas passava por ela mesmo. Eu teria que passar, inevitavelmente".
Produtor de reconhecida competência, Ney mais uma vez também assumiu as luzes e os cenários, criando um ambiente que define como "de teatro de revista". Para os figurinos, contou com a ajuda do estilista Ocimar Versolato, buscando peças nos brechós de Paris: "É extravagante, embora sóbrio, mas erótico porque é todo preto", explicou ao "Estadão". O espetáculo, que depois do Rio segue para São Paulo, vai dar origem a um DVD.
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